01 junho 2012

Parceria Ibérica


Dom Felipe de Borbón y Grecia veio a Lisboa em viagem de reconhecimento e falou em parceria estratégica ibérica. O refrão foi prontamente assimilado e repetido, chegando o Presidente Cavaco Silva a lamentar que a integração sistémica - económica e cultural - de Portugal no "mundo ibérico" (isto é, na Espanha) não seja mais profundo. O nosso Presidente parece nunca ter lido Franco Nogueira - recomendo-lhe, sobretudo o Juízo Final - e alhear-se de algumas das mais elementares noções da geopolítica e da geoestratégia. A ideia de Espanha é sinónimo de império: exerce atracção, é centrípeta e coordenadora. Portugal sempre o foi sem a Espanha; aliás, Portugal não cumpriu o projecto espanhol de substituição das "Espanhas" por um Estado único ibérico com que Castela quis, desde o século XVI, fazer coincidir um conceito geográfico com uma entidade política.
Portugal só tem um adversário histórico e este dá pelo nome de Espanha. A tensão não envolve, necessariamente, hostilidade, mas precaução. Contudo, associar dois parceiros de peso e massa crítica tão diferentes convida fatalmente à submissão do mais fraco e é uma autorização tácita para que o mais forte exerça a sua posição dominante. No caso da Espanha, não se trata de supremacia, mas de hegemonia. Hegemonia, na tradição centralista de Madrid quer dizer integração. As pessoas têm de começar a ler antes de poderem pensar. Não devem os portugueses falar no assunto com os espanhóis. Com eles devemos ser cordiais, sorridentes, generosos no receber. A casa real espanhola sente por Portugal grande afecto, mas não deixa de ser a casa real de Espanha.
No dia em que tivermos um Rei em Belém, o problema desaparece automaticamente. A monarquia é a maior caução e garante da liberdade de Portugal . Até lá, não falar nem abordar o tema das parcerias.

1 comentário:

Justiniano disse...

Caríssimo Castelo Branco, o Sr. Cavaco, que acontece, lamentavelmente, ser PR, até se estreitaria com um qualquer cantão suiço!! Aquilo é só medo!! Vontade de entregar os destinos de Portugal a quem aparente promessa de custódia!! É, verdadeiramente, um personagem menor da nossa história!