28 junho 2012

O primeiro western bacalhau



Simpático atrevimento, a somar aos western spaghetti de Leone, aos western paella, aos western DDR e aos western Tito da defunta Jugoslávia. Atrevimento inofensivo e simpático, não fosse o sub-género da mais despretensiosa ligeireza. Depois de tanto celulóide gasto em soporíferas intelectualices e pedanterias de longos monólogos monocórdicos, que a Secretaria de Estado vai pagando às fitas menos vistas do mundo, um toque de pequena graça caseira. Que me lembre, das quatro vezes que me sentei num cinema para ver uma daquelas fitas apaparicadas pela "imprensa de referência", adormeci com o Morfeu.
Que venha, pois, o western bacalhau com todos. Só rezo que não misturem os malfadados Pessoa e Eça à brincadeira, pois os intelectuais, se não fazem asneira à entrada, acabam sempre por fazer à saída. E não venham já os patetas reaccionários sem mundo, os contra-tudo, pedir coisa melhor. Depois das 999 "geniais realizações" do Manoel de Oliveira - com excepção do Pão, das Estátuas de Lisboa, do Aniki-Bobó e Douro, Fainal Fluvial - tudo que cheire a cinema é bom.

3 comentários:

Alano da Rocha disse...

Presumo, Miguel, que não lá grande "fan" de Manoel de Oliveira, dos seus filmes mais aplaudidos, ultimamente, nos festivais da especialidade, onde os grandes especialistas se explanam longamente sobre os filmes do génio português, fitas que, infelizmente, o inculto povo não entende...

Combustões disse...

Alamo
Eu gosto - venero- o Manoel de Oliveira documentalista. O resto, não sei. Dá um óptimo sono.

Isabel Metello disse...

Eu não me considero uma cinéfila, mas tb não sou ignorante de todo e o único filme que consegui ver sem adormecer e até gostei, apesar de certas falhas cronológicas não me convencerem, foi o último e mesmo assim fiquei pasma com a tão má prestação do seu neto como actor! Não sei, não concordo com estas endogamias, gosto de mérito!
Ah, tb havia um que me impingiram várias vezes que eu saía de lá em estado catatónico- o João César Monteiro!
A Branca de Neve não vi, até porque pelo relatado nada se via, apesar de ter sido subsidiado pelo Estado!
Os melhores filmes que vi são Norte-americanos, Ingleses, Franceses, Espanhóis e da antiga Jugoslávia (os de Kusturika) ah e os Portugueses com António Silva- sempre adorei o actor, era tão engraçado!
Mas tb já vi filmes muito interssantes Portugueses das novas gerações, agora, para pseudo-intelectualidades sou muito básica, nem que ganhem todos os prémios em Cannes!