22 junho 2012

Nova Monarquia de novo ?


O Nuno zurze forte na incapacidade dos monárquicos em aproveitarem o momento irrepetível por que passamos. Há vinte e oito anos, eu, o Nuno e mais três ou quatro dezenas de militantes do PPM revoltámo-nos contra o amadorismo, o imobilismo, o tertuliarismo, as "hortas sociais", mais as manias das genealogias e das heráldicas e brasonários, os marialvismos, as intermináveis conversetas notívagas - fumarentas e etilizadas - da sede do PPM e fizemos a Nova Monarquia. Fizemo-lo com riscos tremendos - riscos físicos até - e montámos uma organização de combate político à qual se foram agregando centenas de militantes de primeira plana. Em 1989, quando terminou, a Nova Monarquia tinha 600 associados, enchia mensalmente salas - do Hotel Roma, do Altis, do Lutécia - e organizava caravanas automóveis, desfiles e arruadas, cobria Lisboa de cartazes e murais, organizava sessões musicais no São Luís e no Teatro da Trindade, participava em debates públicos; em suma, existia e não pedia créditos.

Nesse tempo, não tínhamos nem dinheiro nem internet, não havia telemóveis, a imprensa era, absoluta e irremediavelmente, hostil e inimiga. O trabalho, as reuniões, as circulares e os contactos eram feitos em minha casa e, depois, no escritório do Professor João Taborda à Brancaamp, na Igreja São João de Deus ou no Colégio Pio XII.

Em quatro anos, a Nova Monarquia cresceu, espalhou-se pela geografia portuguesa, constituiu núcleos nas principais universidades, conseguiu eleger militantes seus para os corpos dirigentes das associações de estudantes das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, ganhou em dezasseis associações de estudantes do ensino secundário da região de Lisboa. Em 1987, recebemos um telefonema da direcção do CDS, então presidido por Adriano Moreira. A NM foi convidada para integrar as listas do partido e a campanha desse ano foi feita integralmente pela Nova Monarquia.

Na altura, moveram-se campanhas absolutamente infames, boicotaram-nos, difamaram-nos, fecharam-nos portas e intrigaram. Aqueles que nada faziam, que nada haviam jamais feito, mataram a Nova Monarquia. Depois, foi o silêncio. Voltaram ao mesmo que sabiam fazer. Hoje, estamos nisto. Há 35% de portugueses que se identificam com a Restauração, mas não fossem o Senhor Dom Duarte e Dona Isabel - nas suas constantes deslocações, acudindo a todas as solicitações - a actividade monárquica circunscrever-se-ia a NADA !


Sei que passou uma geração e que agora os jovens são moles, não foram educados nem sabem como fazer. Perderam a fibra, não abdicam do maldito computador e jamais sairiam à rua para penosas jornadas de colagens e pintura de murais até às 4, 5 ou 6 da madrugada, sob chuva intensa ou frio enregelante. Será? Não estou certo disso. O problema prende-se com maus hábitos, falta de motivação de quem deve preparar, estimular e executar, ausência de criatividade e génio propagandistico. 

Aceitei há dias o convite para um jantar organizado por um instituto carregado de boas intenções patrióticas e dirigido por gente limpa. Saí dali com um enorme peso na alma, após confirmar as mais negras intuições. Ali, numa sala com setenta pessoas, só ouvi discursos mornos, tecnocráticos, cheios dos rodriguinhos das gestões, do empreendedorismo e das "novas oportunidades". Até se citou Brecht e Maiakovski. Só faltava o Che. A coisa prolongou-se por horas e tornava-se mais penosa a cada minuto, sem rasgo, sem chama, sem sentimento. 
Tudo isto me leva a pensar seriamente na necessidade de refazer a Nova Monarquia. No dia em que o fizermos, algo de novo se fará pela causa patriótica por que vale a pena lutar.


10 comentários:

Isabel Metello disse...

Miguel, refaçam-Na, que É uma Causa Justa, pois o Sr. D. Duarte É Um Homem de Carácter, Justo, Humano, Cultíssimo e Portugal precisa de Alguém assim. Sou republicana em termos ideológicos, mas depois da bandalheira a que assisti pode-se dizer que sou uma monarca pragmática! Seria Uma Bênção para Portugal por vários motivos :) (a) acabar-se-ia com todas as despesas milionárias relativas às eleições presidenciais e às mordomias durante o mandato e vitalícias, ainda por cima para eleger uma figura que quase alguns poderes detém; (b) Haveria muito mais possibilidades de se rever uma Constituição marxista e parada no tempo, obsoleta; (c) em termos de imagem de marca de Portugal como Reino haveria muito mais congruência identitária em termos histórios e geoestratégicos para se reposicionar a Nossa Pátria lá fora; (d) grande parte da parasitagem desfazer-se-ia; et caetera...
Avancem, haverá muita gente diusposta a colar os cartazes, mas asseguro-lhe que o melhor meio de autopromoção é viral, pela net...

costa disse...

Apoiado. Há que aproveitar esta fase de perda de credibilidade da República e das suas instituições.

Penso, também, que há cada vez mais portugueses sensíveis à Restauração e com a noção das vantagens de ter na chefia do estado um não político.

Nuno Castelo-Branco disse...

A questão não se prende tanto com os órgãos directivos das organizações monárquicas, mas sim com a apatia dos filiados. Há que colocar as pessoas entre a "espada e a parede" e sei por experiência própria que preferirão dar o peito à espada.

Compreendo muito bem a situação da Causa Real. É uma organização de agregaçãode monárquicos de todas as tendências e torna-se difícil tomar posições políticas. Já bastas vezes sugeri a criação de núcleos monárquicos dentro dos partidos do sistema. Parece que não existe coragem para tal. Não será uma má ideia se o país verificar o surgimento de outras organizações, exclusivamente pró-Monarquia e que se dediquem à luta política, interferindo no discurso dos partidos. Não terão de ser partidos, claro está, mas organizações cívicas fortes e com propostas muito concretas. O IDP, por exemplo, pode oferecer um contributo valioso, disso estou certo, mas há que insistir e adoptar precisamente o mesmo esquema de intervenção das organizações partidárias, sem que caiamos na tentação ilusória do voto pelo voto.

Os mais jovens possuem hoje recursos com os quais apenas sonhámos e bem enquadrados, algo de muito positivo deles sairá. Estão cheios de ideias práticas e isso vale tanto como "sofisticados "esquemas ideológicos. Vamos pensar no assunto.?

Duarte Meira disse...

Caro Miguel Castelo Branco:

É muito bom para os velhos (como eu) e pedagogicamente útil (para os novos) relembrar esses dias magníficos da Nova Monarquia e da Nova Mocidade, que nos anos do fim da nossa Autonomia política ergueu uma viva e luminosa voz de inconformismo e não abdicação.

Mas, melhor ainda, é ver que o meu caro não se rendeu. Bem haja!

Agora é preciso preparar e ponderar bem o caminho para que o Príncipe D. Afonso venha a assumir as suas responsabilidades.Mas, todas as iniciativas devem ter em consideração o modo de proceder face à actual Constituição e ao seu infame artº 288, alínea b.

Por outro lado, arruadas e cartazes na parede passaram à história do barulho e da bagunça revolucionária. Os tempos são outros. Não é o caso de os jovens estaram mais "moles", estão sim mais desiludidos e endurecidos por uma realidade que não lhes permite ilusões. Mas, se virem uma brecha de luz e caminho viável, esteja certo que não faltarão: por uma razão simples de sobrevivência.

Mas é preciso que os carvões ardam completamente, antes de renascermos das cinzas.

Duarte Meira disse...

Caro Miguel Castelo Branco:

É muito bom para os velhos (como eu) e pedagogicamente útil (para os novos) relembrar esses dias magníficos da Nova Monarquia e da Nova Mocidade, que nos anos do fim da nossa Autonomia política ergueu uma viva e luminosa voz de inconformismo e não abdicação.

Mas, melhor ainda, é ver que o meu caro não se rendeu. Bem haja!

Agora é preciso preparar e ponderar bem o caminho para que o Príncipe D. Afonso venha a assumir as suas responsabilidades.Mas, todas as iniciativas devem ter em consideração o modo de proceder face à actual Constituição e ao seu infame artº 288, alínea b.

Por outro lado, arruadas e cartazes na parede passaram à história do barulho e da bagunça revolucionária. Os tempos são outros. Não é o caso de os jovens estaram mais "moles", estão sim mais desiludidos e endurecidos por uma realidade que não lhes permite ilusões. Mas, se virem uma brecha de luz e caminho viável, esteja certo que não faltarão: por uma razão simples de sobrevivência.

Mas é preciso que os carvões ardam completamente, antes de renascermos das cinzas.

Zephyrus disse...

Tenho lido sobre propagando nos EUA. É preciso utilizar os métodos do inimigo. Por vezes, é necessário recorrer ao Mal para fazer o Bem, como diriam Maquiavel e o Marquês de Sade. Há técnicas paradoxalmente rebuscadas e simples que «encantam» as massas. Neste momento aqueles que aspiram à Monarquia deveriam estar já a «trabalhar» a imagem do jovem herdeiro na comunicação social.

Alano da Rocha disse...

Apoio os dois comentários anteriores!
O País precisa de voltar às suas raízes históricas, se quiser ter futuro. Esta partidocracia, a continuar, irá afundar esta Nação inexoravelmente!
Por Portugal, pelo Rei!

Joao disse...

Tentar recriar algo que já existiu e do qual apenas restam as boas recordações, normalmente dá mau resultado.

Agora, criar algo de novo mas genuinamente português, que marque a diferença em relação ao cinzentismo e às "inevitabilidades" que nos querem impor - isso sim - é coisa para fazer um homem ficar acordado até às 6 da matina.

Um sonho que "Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar!". O V Império.

Rui F Santos disse...

caro MCB
perdoe-me o desafio ou provocação, mas mais importante que uma "Nova Monarquia" é um "Novo Portugal".
acredito e creio ser essencial uma reunião de Portugueses num ideal que tende a desaparecer (a Pátria), mais importante do que quem a legitima (A Monarquia).
obviamente é uma opinião, mas mais importante do que tudo é encontrarmos em Homens da sua cepa, credibilidade e portugalidade, a vontade de liderar esse ideal e essa dinâmica, que mesmo diminuta nas suas expressões ou consequências iniciais, encha a alma e acalente a esperança.
Por Portugal!

Cumprimentos
Rui Santos

Rui F Santos disse...

caro MCB
perdoe-me o desafio ou provocação, mas mais importante que uma "Nova Monarquia" é um "Novo Portugal".
acredito e creio ser essencial uma reunião de Portugueses num ideal que tende a desaparecer (a Pátria), mais importante do que quem a legitima (A Monarquia).
obviamente é uma opinião, mas mais importante do que tudo é encontrarmos em Homens da sua cepa, credibilidade e portugalidade, a vontade de liderar esse ideal e essa dinâmica, que mesmo diminuta nas suas expressões ou consequências iniciais, encha a alma e acalente a esperança.
Por Portugal!

Cumprimentos
Rui Santos