23 maio 2012

Uma batalha numa gota de água


O ministro Miguel Relvas cometeu um imperdoável erro: sobrevalorizou uma jornalista e um jornal. Esqueceu-se que jornalistas e jornais são coisa de outro tempo. Quem os lê ? Quem os compra ? Estudos há que dão conta do lugar marginal que as velhas gárgulas de papel ocupam na moderna sociedade de informação. Os jornais publicam noticiário da véspera, entrevistas que cansam os olhos e já foram dadas e redadas nas televisões, velhas novidades que são do domínio público através das redes sociais e da blogosfera de qualidade, micro-intrigas e inconfidências absolutamente irrelevantes que circulam como rumores há semanas.
Os tigres de papel não servem, não influenciam, não formam nem informam. A maioria dos tigres de papel vive de publicidade e de assinaturas. Tanto papel e tanta tinta deitados ao lixo, tanta matéria prima para reciclagem para nada.
Neste incidentezinho da jornalista e do seu tigre de papel, a generalidade das pessoas encolheu os ombros. Estas batalhas em gotas de água só interessam ao público do tigre de papel: os senhores deputados, os senhores directores-gerais, os senhores jornalistas, os senhores funcionários públicos que o folheiam às 10-30 horas, entre uma trinca na tosta e o bebericar do café. Se o problema envolvesse um dos pivots do Preço Certo, dos futebóis ou dos Morangos com Açúcar, a coisa era grave. Agora, com o Público ? Who cares? Não tem interesse. Infelizmente, o Ministro Miguel Relvas "máy sáab".

2 comentários:

Daniel disse...

Por falar em censura, escrevi um comentário no Arrastão com um link para o seu post (Os Danieis Oliveiras e Claras Ferreira Alves da desocupação espevitada) e, surpresa, foi censurado.

Tenho para mim que com base nos comentários lá deixados, este foi de tal modo certeiro que não calhou lá muito bem por aquelas bandas.

Por este motivo, e pelo silêncio do visado relativamente ao post em questão, os meus parabéns. Parece que acertou na mouche. Nada como fazer as pessoas se verem como elas são e não como elas pensam que são.

Cumprimentos.

Nuno Castelo-Branco disse...

Claro que fazem censura, Daniel. Eles funcionam como uma alcateia à cata de borregos que lhes vão atirando uns links de vez em quando. Quanto aos que não pertencem ao grupo, esses são pura e simplesmente ignorados, tal como naquelas famosas fotografias dos tempos soviéticos em que um tipo caído em desgraça era retirado do conjunto de bestas.