28 maio 2012

Relvas tem de ficar


Um dramalhão de faca e alguidar, com depoentes e rumores que só me fazem lembrar os Dramas Judiciários Portugueses do Sousa Costa, uma novela do Rocha Martins ou um daqueles livrinhos do Américo Faria, é isto que tem prendido os "portugueses" ao longo dos últimos quinze dias. Quando dizemos "os portugueses", queremos dizer as quinhentas pessoas que se sentam no ripanço de S. Bento, mais os senhores jornalistas, os senhores comentadores e as senhoras comentadeiras e seus pontos - digo, empresários - das televisões que se querem ver livres do Relvas para impedirem a privatização do tal canal que vai esboroar as receitas da publicidade. Há histórias de espiões, de escutas, há relatórios sobre a vida privada - vida privada quer dizer sexual - de um Cressus de oitenta anos que não tem, não pode ter, vida sexual para além de fanadas fantasias. Este país é um portento de baixa criatividade. Quando não lhe dá para a inveja, dá-lhe para a porcaria.
"Eles" não param. Ou é agora ou nunca. Servem-se de todos os expedientes - sobretudo aqueles que tratam de fazer rugir a parte boa dos patetas - para alijar o ministro antes que as tais 1500 freguesias para as micro-lideranças sejam extintas, mas sobretudo, que a RTP 2 vá parar às mãos da filha de Eduardo dos Santos e assim deixe de pingar para centos de fulanos e fulanas que enchem corredores da televisão do Estado. Ontem, até ao Professor Marcelo (curioso, mas a marca soa-me a vidente ou cartomante) e ao pobre Capucho recorreram para fabricar a rábula do Relvas criminoso.
Eu não gosto nem desgosto de Relvas, é-me indiferente, mas tenho o faro político suficiente para ver que neste coro de chorões e carpideiras de faces cobertas de lágrimas e cinzas é tudo estudado, do enganiçamento das vozes trémulas aos olhos em água alimentados por generosas doses de produtos lacrimejantes. A política é coisa dura, um corredor escuro cheio de ódios, vinganças, punhais e venenos. O que "eles" querem sei-o bem. Querem tirar do governo o homem que conhece bem os modos e práticas da política e assestar o golpe mortal no governo que, ainda não fez um ano e já tem contra si o tal 1% de comedores que nos trouxeram ao mais vil beco sem saída da nossa história enquanto nação. Se Relvas caísse, os profissionais da arte dos ódios, das vinganças, dos punhais e dos venenos não iriam parar. Querem regressar ao governo o mais depressa possível e não olharão a meios para fazerem aquilo que julgam um direito adquirido. Podem ter a certeza que a Relvas seguir-se-iam Álvaro Santos Pereira (que está a madurar um inquérito profundo às PPP's) e Paulo Portas. "Eles" não vão permitir que a legislatura chegue ao fim. Tenho-o agora como dado adquirido.
Daria um conselho a Relvas: dê luta, da mais dura, a um ataque responda com três, a uma insinuação responda com a velha "retaliação preventiva" a que aludia Mao. Sobretudo, bata com o pé, pois as baratas fugirão para debaixo dos armários de onde vieram; mais, abra as luzes, pois detestam a luz !

9 comentários:

Bmonteiro disse...

Serei capaz de estar de acordo.
Com uma condição: limpesa integral do SIS, tipo regimento militar com actos sucessivos de indisciplina:desactivado.
Fechar aquilo.
E a haver um SIdoEstado, entregá-lo a outro tipo de profissionais.
Talvez os militares, ainda.
Bm

Bmonteiro disse...

Serei capaz de estar de acordo.
Com uma condição: limpesa integral do SIS, tipo regimento militar com actos sucessivos de indisciplina, três levantamentos de rancho no antigamente:desactivado.
Fechar aquilo.
E a haver um SIdoEstado, entregá-lo a outro tipo de profissionais.
Talvez os militares, ainda.
Cumpts

Bmonteiro disse...

E outra.
Dada a incapacidade da inteligência política para criar um serviço público de TV, digno desse nome,
ir além do alienar do canal RTP2.
Quem quizer, no mercado, que explore e rentabilize a RTP1.
Na falta de interessados, feche-se o sorvedouro.

zazie disse...

Um inquérito profundo a quê?

Era bom, era. Não só não o deixavam como já fizeram lei a amnistiar todos os ladrões.

m.martins disse...

E a relação com as secretas não interessa para nada?

MIGUEL disse...

GRANDE POST
BRAVO

ciudadano liberto disse...

Sempre inteligente, lúcido e frontal, o Miguel. Parabéns!

Lionheart disse...

É incrível. Os serviços "secretos" em vez de se preocuparem com as ameaças contra o país, o que andam a fazer as máfias, onde se infiltrou o dinheiro da droga, se há financiamento estrangeiro a partidos portugueses e com que interesses, etc, etc, não. O "brinquedo" serve para andarem a espiar-se uns aos outros! O chefe dos "espiões", um maçon (para "variar") foi vender informação a uma empresa com interesses em vários sectores da economia portuguesa, entre os quais a comunicação social, e que foi testa-de-ferro do anterior (des)governo para controlar uma televisão que lhe era incómoda. Se mandasse nos serviços "secretos" ia saber como é que apareceu a Ongoing, não ia oferecer os meus préstimos a ela...

Portugal é um país PERIGOSO. Aparecem estes fenómenos "Ongoing", que não se lhe conhece qualquer produção ou serviço que justifique tanta fortuna súbita. O chefe dos serviços de informação é um mercenário que se vendeu a quem deu mais e usou os meios do Estado para subir na vida desrespeitando a LEI. Este é que é o verdadeiro ESCÂNDALO: não podermos estar descansados com o poder do Estado, e não o que o Relvas falou com a outra e com quem é que ela dorme. Quando muito isso só demonstra que há confiança a mais entre políticos e jornalistas. Isto é mesmo uma "aldeia".

Conservador disse...

Bem visto. É galhofeiro, é boçalzito, mas... mas ... o Relvas serve de escudo a pior...

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