20 maio 2012

Paulo Portas que não caia na armadilha

Institutos Camões e Cervantes deviam trabalhar juntos - Artes - DN
Ao ler isto, só posso confiar no bom senso do nosso MNE. Trata-se de supino atrevimento, ingerência quase desavergonhada, que deve ser liminarmente rejeitada; mais, o MNE deve responder, fundamentando, não apenas o disparate conceptual de tal proposta, mas a infeliz anuência do governo espanhol ao permitir a um dos seus responsáveis tamanha demonstração de desonestidade. 
É evidente - e aqui, por várias vezes exprimi tal posição - que o Instituto Camões, no formato que leva desde a sua constituição, não cumpre e não pode cumprir qualquer função relevante no quadro da política cultural externa de Portugal. O Instituto Camões é um disparate que tende para o ridículo. Devia e podia ser mais que uma escola primária destinada a ensinar o português elementar a futuros telefonistas, secretárias, guias-turísticos e empregados das embaixadas e consulados portugueses. Podia e devia ser mais que um lóbi para garantir emprego a professores de português.
O Instituto Camões podia e devia ser um pólo do investigação e formação de vocações lusófilas. Certamente que o ensino da língua podia ser um dos alicerces de tal instituição, mas nos termos em que tem funcionado, transforma-se, na penúria aliada ao sem-sentido, um imenso elefante branco. Tenho pensado maduramente no assunto e posso fundamentar com detalhe uma estratégia para o ICA.

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