30 maio 2012

Obama foi reeleito


A confirmação de Romney como candidato republicano à Casa Branca merece a atribuição do justo prémio "Desastre da Semana". A figura é absolutamente nula e no pleito pelo asinismo só seria preterido pela monumental estupidez de Sarah Palin, essa, sim, um portento de ignorância. Obama tem sido um presidente sem história. Refém da lógica de um império em declínio, tudo indica que o segundo mandato será tão insípido como o primeiro. Os EUA perderam irradiação, sofrem de pauperização incontrolável e irreversível e estão destinados a um lento ocaso. Segundo os mais categorizados estudos prospectivos, o Império perderá o lugar de potência global em meados do século e tenderá a recuar para posições defensivas no hemisfério ocidental.
Romney insiste no "sonho americano" - casarões em madeira varridos por qualquer tornado, violência urbana incontrolável, comezainhas de hambúrgueres, um terço do país vivendo em caravanas, outra metade sofrendo de maleitas sem poder recorrer a um médico, sistema de ensino primário e secundário digno de um país do terceiro mundo - e esse sonho está cansado. Por ironia do destino, Romney nasceu em Detroit, a vitrina do desastre americano. Ali já não há esperança. Transformou-se num gueto de insalubridade, crime e violência. A antiga capital mundial da indústria automobilística perdeu em dez anos 25% da população, tem 50% de desempregados e os subúrbios ardem incontrolavelmente, casa a casa, quarteirão a quarteirão. Os bombeiros já não acodem, pois os carros avariaram há muito, água não há e bombeiros também não. Faliu tudo, das empresas ao governo estadual. 

11 comentários:

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Miguel, você pode saber - e sabe mesmo - muito sobre muitos assuntos, mas no que respeita à actualidade política norte-americana é pouco mais do que um ignorante com preconceitos. E, pior, preconceitos esquerdistas. Se me dessem a ler este seu texto sem me dizerem a origem nem o autor, eu arriscaria o Arrastão ou o Jugular. Nem Mitt Romney é uma «figura absolutamente nula» nem Sarah Palin é «monumentalmente estúpida», muito pelo contrário. E não tome Detroit como representativa de todos os EUA. Se a «capital do automóvel» está em decadência tal se deve a décadas de influência e domínio do Partido Democrata e dos sindicatos.

Nuno Castelo-Branco disse...

Uma pena o Lord Cornwallis não ter conseguido capturar Washington e o resto da corja em Saratoga. Podia tê-los enviado até Tyburn, em Londres. Talvez os EUA não fossem tão vastos, mas mais parecidos com o Canadá. Quem sabe?

Nuno Castelo-Branco disse...

Octávio, de esquerdistas não temos grande coisa, mas como gente vinda do ultramar, sabemos o que essa corja yankee nos andou a fazer na ONU, com as suas "fundações" e igrejolas mafiosas (o Romney está metido numa que é do pior que se possa imaginar, além de grotesca), etc, etc. Não me esquecerei jamais. Estiveram tão bem como os russos e chineses, mas com uma diferença: "não era" nossos inimigos, apenas os escroques do costume.

Combustões disse...

Caro Octávio
Eu sei que há, entre nós, um certo fascínio pelos EUA que tem muito a ver com o mito da terra para todas as oportunidades, mito muito arreigado entre os candidatos à emigração nos anos 20, 30, 40 e 50. Quem visitasse os EUA na década de 70, ia a um outro mundo. Os europeus sentiam-se pequenos e quase esmagados. Hoje, a América surge aos nossos olhos com o desencanto de uma mentira. Não me diga que a Pallin é um portento !

Luis disse...

Não menospreze a estupidez americana:-) o Romney arrisca-se a ganhar as eleições, apesar da sua monumental estupidez .

José disse...

Talvez os EUA não fossem tão vastos, mas mais parecidos com o Canadá. Quem sabe?

Não ganhariam grande coisa com isso; ou melhor, ganhariam: uma tirania politicamente correcta, estribada no marxismo cultural, ainda mais furiosa do que a que se vive no próprio Reino Unido.

José Mexia disse...

Caro Miguel Castelo-Branco,
Embora não concorde com o tom ligeiramente malcriado, o primeiro comentário não deixa de estar correcto.
Romney tem duas licenciaturas em Stanford e Harvard (não me diga que não vale nada), foi missionário, e fez fortuna exclusivamente fruto do seu trabalho. Creio que é mesmo o melhorzinho dos candidatos dos últimos anos.
Quanto a Palin, representa a brutal estupidez das bases republicanas.

Está redondamente enganado em relação aos Estados Unidos actuais. Um estudioso como o Miguel devia saber o papel das Universidades americanas no desenvolvimento de todas as áreas. Até nas letras. Por exemplo, os EUA são neste momente o local do mundo onde mais se aprende Latim, quem diria!

É uma nação infantil, disso não há dúvida. Mas se olharmos bem para Portugal e Europa, para lá caminhamos.

Acima de tudo, qualquer coisa é melhor que aquele vendedor de banha da cobra que habita a Casa branca.

Cumprimentos

Bmonteiro disse...

Pois com uma costela esquerdita e outra de direita,
vejo neste texo premonitor,
aquilo que se está a passar na antiga Lusitânea.
Uma tragédia occidental.

Marina Seminova disse...

O problema limita-se ao facto de estarmos permanentemente perante opções medíocres, o que nos leva a tentar observar qual seria a “menos pior” das opções : Obama ou Romney, Hollande ou Sarkozy, PS ou PSD, a peste ou a cólera ... ?
Concordo com o Miguel a propósito do estado de decadência da nação americana. Também não tenho muitas esperanças no partido republicano.
Mas creio que são as grandes linhas da política externa dos candidatos que mais devem despertar a nossa atenção, pois determinam e determinarão – infelizmente – a geopolítica mundial. E aí veremos qual será o candidato “menos pior” ... para nós.

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Caros Miguel e Nuno,

não, Sarah Palin não é um «portento», mas também não é (e nem era em 2008) a ignorante arrivista e obscurantista que os principais (e esquerdistas) órgãos de comunicação social dos EUA, para além de uma súcia de «actores-activistas-humoristas», queriam e querem fazer crer. Aliás, ela, enquanto governadora do maior Estado dos EUA (em dimensão geográfica), o Alaska, era há quatro anos muito mais experiente e qualificada do que Barack Obama para ser presidente.

Foi precisamente para contrariar as mentiras que são (eram) divulgadas quase sem contraditório em Portugal que eu criei o Obamatório. Esforço inglório? Talvez. Mas valeria sempre a pena se pelo menos uma pessoa reconhecesse que estava enganada. É claro que não espero que os esquerdistas empedernidos admitam que existem indivíduos, instituições, iniciativas, de valor nos EUA – se não quiserem ver além das suas camadas de idiotice, quero lá saber! Porém, de outras pessoas que muito estimo, como os irmãos Castelo-Branco (apesar de ainda não os conhecer pessoalmente), espero sempre muito mais e melhor. E esses arremedos de «anti-americanismo primário» são indignos, inadmissíveis, incompatíveis com a vossa (elevada) craveira intelectual e moral.

Vão por mim, acreditem, quando vos digo que presentemente nos EUA se joga muito o futuro de todos nós. Barack Obama é como que um «José Sócrates em ponto grande»: tem aumentado desmesuradamente a dívida pública enquanto fala em construir comboios de alta velocidade e em estimular (através de milhões de dólares dados a empresas de amigos que depois entram em falência) as «energias limpas e alternativas». No início do seu mandato até falava em criar… 150 mil empregos! Se os EUA se tornarem irremediavelmente numa sociedade (à semelhança das europeias) onde o Estado é omnipresente, gastador e abusador de impostos, onde (quase todos) os delírios «politicamente correctos» e «fracturantes» socialistas ganham força de lei… o futuro apresenta-se sombrio.

E não recorram sempre ao passado para julgar o presente. Por comparação, achariam justo que hoje vilipendiassem Portugal alegando o que acontecera durante o salazarismo? Sim, os EUA, ou alguns dos seus dirigentes, cometeram erros, alguns muito graves, em anos anteriores. Por exemplo, o apoio (ou «autorização») que deram à Indonésia na invasão de Timor foi uma vergonha que nunca será apagada nem perdoada (por mim, pelo menos). No entanto, contínuo convicto de que do outro lado do Atlântico vem muito mais bem do que mal. Em especial do Partido Republicano, criado para combater a escravatura e que teve em Abraham Lincoln a sua primeira grande figura, e muito dificilmente do Partido Democrata, historicamente o antro de esclavagistas e de segregacionistas – sempre (hoje também) de racistas.

João Pedro disse...

Caro Octávio dos Santos, já reparou que ao falar de "anti-americanismo primário", incorre na mesma acusação quando se refere a Obama e aos Democratas (ou liberais)? Que eu saiba, os EUA não são só os republicanos (que aliás mudaram muito desde Lincoln). E a acusação de "anti-americanismo" recorda as imensas discussões por alturas da invasão do Iraque...