27 maio 2012

Fotos e momentos: o que me disse Vera Lagoa


A Maria Armanda Falcão terá sido na história do jornalismo português - talvez só comparável a Francisco Homem Cristo (Pai), Manuel Maria Múrias e Francisco Sousa Tavares - uma dessas pessoas cujos artigos valiam por um grupo parlamentar na Assembleia. Teve inimigos mortais, desfez hierarquias e nunca renunciou ao direito sagrado de defender as suas posições com uma coragem tremenda, correndo riscos sobre riscos. Aquele cálamo valia um regimento de choque. Encontrei-a uma boa dúzia de vezes na embaixada do Brasil, nos saudosos tempos em que José Aparecido de Oliveira, amigo de quem guardo tocantes gestos de simpatia, movia céus e infernos para convencer a nossa pequena e míope classe política a aderir à ideia daquela que viria a ser a CPLP.
Um dia, Vera Lagoa disse-me que evitasse escrever aquilo que as pessoas não querem ler. As pessoas gostam de banalidades, gostam de mentiras, pelam-se por insignificâncias. Vera Lagoa estaria já naquela fase da vida em que a sabedoria se instala e o conhecimento dos homens e das suas cobardias, inconsequências e pequenez aconselham à máxima precaução. A Vera Lagoa tinha razão.

PS: o que diz dizer está aqui explicado pelo talento do JG.

3 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Mas é útil escrevermos tudo aquilo "que ninguém lê ou quer ler". Dessa forma e através da internet, nunca mais será possível que algum dia venham dizer que "fomos isto ou aquilo" ou dizíamos aquel'outro. O que dissemos, dissemos, o que não dissemos, eles que provem. Era só o que mais me faltava andar a meter-me em questões de ministérios, escutas, contas off-shore, et. Para isso existem, ou deviam existir, os Tribunais.

Pedro Marcos disse...

Independentemente das razões de Vera Lagoa, aqui se pede ao Miguel que diga o que tem a dizer. Sem medos.
E não interessa conquistar a maralha com a verdade. Aliás esse desprezo pela verdade é uma das características que a define.
Interessa sim influenciar e motivar as elites. Essas encarregar-se-ão de "contaminar" a maralha com com o que interessa. Afinal, não é assim que "os outros" fazem?

Isabel Metello disse...

Vera Lagoa sempre lutou pela Verdade, Miguel , é um dos meus Ídolos Sagrados! Foi Uma Grande Mulher, enfrentou atentados à bomba, ameaças de morte, tudo com "a coluna hirta e firme como uma barra de ferro", como diria a criatura desviante, mas que cuja frase até é bem apropriada! Só Grandes Almas têm muitos inimigos, os assim-assim, que gostam de passar pela chuva sem se molharem ou os piores- os mais sofisticados-os que alvitram serem consensuais e até ícones sagrados da "marabunta alienada", geralmente, dão-se bem com Gregos e Troianos- com Deus e com a coisa má é que já é mais difícil, pois Deus Conhece-os na Sua Omnividência, Omnisciência e Omnipotência e, perante Ele, lá lhes caem as máscaras suporíferas! Que a marabunta alienada pela multiplicação dos F (ao menos, no outro regime era assumido (e não nos vinham cá com as pataquadas da democracia e da liberdade, quando este país é uma oligarquia onde não existe uma autêntica Liberdade de Expressão! ) e um deles Era O Sagrado (e quando digo Sagrado refiro-me à Entidade, não a tantos que A invocam em vão, quando não A maculam e se Lhe opõem com actos ignóbeis...:) gosta da mentira e da banalidade tal faz parte do cardápio, como Vera Lagoa, pela Sua Sapiência, o perscrutou, agora, que quem se recusa a inserir nessa alienação tem O Dever Supremo de morrer a lutar pela Verdade e pela Justiça tem-no até pelo futuro de Portugal! Antes morrer pela Verdade do que sobreviver vendo os vendilhões do templo a proliferar como a marabunta!