03 maio 2012

Liberdade de imprensa

Dia internacional da liberdade de imprensa. Por mais que a procure, dela não encontro vestígios, para além - claro - da liberdade que assiste a uma reduzidíssima clique de intoxicadores, manipuladores e indutores de opiniões. No táxi que me levou ao trabalho abri o CM: futebol, facadas, violações, uma mãe que afogou o filho, uma miríade de anúncios de brasileiras "bum-bum de chocolate", mais o corta-cola da Lusa. Ao chegar, sobre a secretária, o DN - uma das rádios-Moscovo - e o mesmo, com variações sobre economia e uns "artigos de opinião" que fariam a vergonha de qualquer semi-letrado. Eis a "liberdade de imprensa": uma bomba atómica em papel, confeccionada por jornalistas analfabetos repetindo recados, frases-feitas e fazendo favores aos micro-lóbis de amiguismo e às panelinhas, mais uns cachets cativos para tipos que nada têm a dizer. Se esta é a liberdade, então sou adepto incondicional do receituário de Papini, para quem a maior higiene social assentava na prática de não ler jornais, não ouvir rádio e, por que não, jamais abrir a tv.

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