22 maio 2012

Costela estatista


Por três vezes trabalhei para as tão gabadas empresas privadas e por três vezes esbarrei com as maiores torpezas. Sendo por princípio, mas sem dogma, entusiasta da iniciativa privada, não posso deixar de reconhecer que a generalidade do patronato português - adepto do estilo Fagin, do Oliver Twist - não pode ser deixada à solta. Privatizar a RTP, para a "balsemizar" e emporcalhar ainda mais os portugueses? Privatizar a TAP, para a vender a pataco? Vender as águas, para deixar os nossos banhos entregues ao primeiro envenenador?
Julguei que depois da banca,  deixada à solta, das empresas de segurança entregues a gente de duvidosa reputação, e de muito do que por aí dá pelo nome de "ensino superior cooperativo" (sem esquecer a vergonha dos negócios da doença e os negócios das farmacopeias), os mais atentos tivessem algum receio em passar procurações aos doentes do dinheiro e do lucro fácil.
Queixamo-nos, com toda a justeza, dos abusos perpetrados em nome do Estado, mas trata-se, amiúde, de confusão entre o Estado e as pessoas que tomaram de assalto o Estado e dele se fizeram empresários perdulários. O problema do Estado não é o Estado, mas os parasitas e as clientelas que subverteram o princípio do serviço público. O Estado pode ser lucrativo e auto-sustentável e as empresas públicas - e até o sector produtivo do Estado - podem ser garante de excelência e qualidade, para não dizer que, pelo menos, são mais sérios defensores da soberania económica do país.

1 comentário:

swedenborg disse...

Permita-me postar este link de um texto do Dragão que traduz magistralmente o que foi feito com o estado português. Eis a disfunção...

http://dragoscopio.blogspot.com.br/2011/10/vao-acabar-connosco-se-nao-acabarmos.html