08 maio 2012

Não há pontes longe demais: 1640 dias da minha vida


Foram mil seiscentos e quarenta dias, cerca de sete mil horas de leitura em arquivos e bibliotecas, duas mil horas de escrita. São 500 páginas. A tese que me queimou os olhos e pela qual jurei a quem em mim confiou tal responsabilidade - o meu orientador, a Fundação Gulbenkian - passa a agora por acelerado processo de tradução, pois que o júri será internacional e importa que a coisa portuguesa - na sua abundante safra de fontes, às quais adicionei centos de documentos em thai - seja conhecida. Uma grande prostração invade-me o espírito e o corpo. É reconfortante quando as mais intensas batalhas, às quais nos devemos entregar sem condições, terminam em bem.
Os meus leitores compreenderão certamente uma alegria que gostaria de partilhar com quantos, não me conhecendo, me concedem o privilégio da sua visita, da sua crítica ou anuência a pontos de vista que nem sempre compaginam com aquilo que parece bem dizer. No que à tese respeita, era voz corrente que pouco mais havia a dizer sobre as relações luso-tailandesas. Outros haviam abordado o assunto e pronto, estava tudo dito. Ora, não há nada que seja definitivo. Pelo caminho, localizei mais de 1000 documentos jamais lidos por outros que me precederam, tentei reconstituir procedimentos, práticas, incidentes diplomáticos, reinterpretar tratados, dar vida a portugueses há muito mortos. Prometo que a todos convidarei para o lançamento da obra.
É estúpido, mas ao terminar esta luta silenciosa, só me ocorreu aquela fita da Ponte Longe Demais. Mas a essa ponte consegui chegar.

                                                                                                                               Miguel Castelo-Branco

P.S. Obrigado a todos quantos deixaram mensagens (14), assim como a nove amigos que endereçaram votos de felicitações para a minha caixa de correio.

19 comentários:

cardo disse...

Meus cumprimentos.

Luis disse...

Tenciono adquirir uma cópia logo que esteja disponível, não tanto por estar muito interessado no assunto, mas por estar convencido de que haverá uma boa dose de honestidade e inteligência no seu trabalho. Coisa para ir lendo nos tempos livres.

Joao Quaresma disse...

Caro Miguel Castelo-Branco, muitos parabéns! E que o seu exemplo seja seguido por outros para que a História dos Portugueses no mundo seja devidamente abordada: com conhecimento profundo e com interpretação livre de preconceitos e justa nas conclusões.

Tema musical muito apropriado.

zazie disse...

Parabéns.

Estes trabalhos ciclópicos têm cada vez menos adeptos e tendem a ficar na sombra da ribalta.

Mas são dos poucos que merecem a pena.

Duarte Meira disse...

Caro Miguel:

Ninguém diga que os portugueses não fazem já grandes coisas no Oriente...

E estas suas têm a dita de serem certamente e pacificamente vantajosas para nós e para os locais. O que nem sempre aconteceu em séculos anteriores.

Muitos parabéns e que a Gulbenkian ou outra não demorem a publicação entre nós.

João Amorim disse...

Muitos parabéns. Não se esqueça de avisar com alguma antecedência pois muitos dos seus leitores são de fora de Lisboa.

abraço

João Pedro disse...

Muitos parabéns, Miguel, pelo seu trabalho, a sua persistência, a sua paixão, que compartilhou aqui neste seu espaço. E por dar tanto relevo à nossa história, às relações que mantivemos com o Sião e a Ásia, enfim, com a memória, que provavelmente seria esquecida e perdida sem o seu esforço. Fico à espera do lançamento da obra.

Isabel Metello disse...

Muitos parabéns, Miguel! Resiliência sempre face a verdades feitas, Essa É a Verdadeira Liberdade de Pensamento e de Expressão!

Abraço amigo

Pedro Marcos disse...

Miguel, por favor considere a possibilidade de venda de exemplares da sua tese aqui nesta sua casa.
Parabéns, caro amigo (se me permite a intimidade).

Pedro Leite Ribeiro disse...

Parabéns sinceros e obrigado pelo contributo para a revelação da longa e prodigiosa História de Portugal! (Como gostaria eu de ter essa capacidade de estudo!)

Nelson Mendes disse...

Que os próximos 1640 sejam recheados de outros tantos sucessos.
Um Abraço

fcmoncada disse...

Caro Miguel,
Prezo muito saber isto. É lugar comum dizê-lo, mas vale sempre a pena explorar a verdade. E mais assim tratando-se de uma significativa e edificante verdade, como antecipo seja, certamente, o caso.
Parabéns !

PEDRO QUARTIN GRAÇA disse...

Parabéns Miguel!
Espero juntar-me também em breve ao "clube".

um abraço

Paul disse...

Tous mes compliments…

Nuno Castelo-Branco disse...

Claro que isso deve provocar alguns ataques hemorroidais a uma data de parasitas inúteis, estudiosos da Bola, desdentados a cair da tripeça, etc. Bem sei o quanto te custou atingir esse objectivo. Há sempre umas minhoquinhas tontas que não suportam o brilho do trabalho alheio e assim poderás considerá-las como uma espécie de oxíuros inúteis que provocam alguma comichão e nada mais. Uma purga e vão cano abaixo. A inveja é uma coisa fétida, não haja dúvida alguma.

JB disse...

Parabéns.
JdB

Bic Laranja disse...

Há-de perdoar-me a felicitação tardia. Não é menos sincera por isso, creia-me. Todos os dias me parece que Portugal acabou e todavia bem vejo Portugueses que mo negam. Bons auspícios. Fico-lhe grato.

Montsegur disse...

Muitos parabéns pela conclusão dessa tarefa herculeana!
Sou um silencioso seguidor, mais ou menos assíduo, do seu blogue e por isso fico à espera que a sua tese seja brevemente publicada ou pelo menos que esteja acessível.
Os meus parabéns e obrigado!

marenostrum disse...

Cordiais saudações pelo trabalho e força para o próximo.
Da mais ocidental fronteira da pátria onde,S.A.R.D.Duarte,foi recebido com todo o carinho, alguns anos atrás,com missa de entronização e tudo.