10 abril 2012

Soarenomics


Para Mário Soares - um eterno improvisador - a solução para crise financeira e a salvação do tal "modelo social" que nos levou ao abismo tem uma cura: emitir mais moeda. Para quem se interessa por questões de história económica - se o Dr. Soares já leu alguma coisa - depara-se com esta crónica tendência. Quando os governantes querem mais dinheiro e dinheiro não há, emitem moeda. Sabe-se hoje que parte apreciável da chamada crise romana, agudizada a partir do século III, se deveu precisamente à infantil ilusão da solução dos problemas pela via da emissão de mais moeda. O mesmo aconteceu em Portugal ao longo dos séculos XVI e XVII. Os Reis convocavam cortes e pediam que se partisse moeda; ou seja, para a mesma quantidade de prata cunhavam-se mais moedas com valor facial supostamente idêntico, mas sem valor intrínseco correspondente àquele que exibiam. Daí nasceu (e nasce) a inflação. Há mais moeda, as preços aumentam. É básico, tão básico como o populismo socialista que continua a persistir no erro de julgar que o Estado (neste caso o BCE) pode inventar riqueza por decreto, mesmo que a economia real já não produza os meios para alimentar os delírios dos governantes. O "paradigma" a que se refere Soares tem um nome: socialismo. O socialismo [explicado às crianças como o Dr. Soares] resume-se a uma crença: o Estado é Deus, cria recursos do nada e distribui-os com magnanimidade entre a plebe. Ora, o Dr. Soares sabe que há uma diferença entre riqueza e moeda. A riqueza tem a ver com a produção, com a propriedade útil a que chamamos empresas, com o risco de quem investe, dá emprego, paga impostos. Soares ataca o "neo-liberalismo", mas teima no velhíssimo e caquético keynesianismo. O problema, claro, é o capitalismo de subsidiação, que tanta guerra fez às empresas, tributando-as ao extremo, e simultaneamente tudo fez para construir a tal globalização, abatendo fronteiras económicas, acicatando as deslocalizações e criou a ilusão que os europeus poderia viver ad eternum de crédito. Aqui está a resposta para estes 38 anos de loucura que nos trouxe à miséria. Arrependam-se, pois o dia do castigo está a chegar.

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