29 abril 2012

A "Senhora Merkel"

Reunião de chefes de governo da União

A moda pegou, mas denuncia vergonhosa submissão neo-colonial. Ontem ouvia Ana Gomes - que está cada vez mais uma "hermanfrodita", um daqueles dos bonecos do Herman - e reparei no tom sopeiral de reverência mascarada de insubmissão sempre que nomeava a chanceler alemã. A "Senhora Merkel" para aqui, a "Senhora Merkel" para ali, numa tão despropositada forma de tratamento que acabei por concordar. Afinal, Ana Gomes tem razão. Aqueles chefes de governo que vão a Berlim genuflectir ante a campónia feita sucessora de Bismarck, comportam-se como a criadagem. Na copa, dão largas à intrigalhada própria de cozinheiras, mulheres da limpeza, lavadeiras, mordomos e jardineiros, mas mal acedem à parte da casa destinada aos "senhores", a espinha dobra-se-lhes instantaneamente.

7 comentários:

Lionheart disse...

Faz impressão a falta de percepção que existe nas elites portuguesas sobre o que se passa na Europa. Agora estão todos confiantes que o Hollande vai mandar na Merkel. E ele, um espertalhão que quer os votos dos luso-franceses, cavalga a onda, mas depois vai entender-se com a Alemanha e manda 'as malvas as promessas que fez aos portugueses e a outros.

O problema de nao haver políticas de crescimento na Europa e' porque a Alemanha nao as quer pagar. A partir dai pode-se chorar baba e ranho, ralhar contra a Merkel ou o que mais quiserem, mas nao vale a pena colocar esta questão numa lógica esquerda/direita. E' um erro faze-lo, e' ver a Europa num prisma com dez ou quinze anos de atraso. A Alemanha actua numa lógica de poder, nao porque a Merkel e' neoliberal (coisa idiota, como se a dirigista direita alemã tivesse alguma coisa a ver com o neoliberalismo). Os tempos em que a Alemanha pagava e a França "mandava" acabaram há muito. Vamos perceber rapidamente os limites de um presidente socialista no Eliseu.

O que os portuguese deviam equacionar e' que se nao podemos obrigar os alemães a continuar a financiar políticas de crescimento, então temos de pensar se podemos continuar no mercado comum. Isto agora pode parecer absurdo, mas esperem por mais mais dois ou três anos de estagnação e subida de desemprego e verão se nao estará tudo em cima da mesa...

Pedro Leite Ribeiro disse...

Não tem a ver com o conteúdo da postagem mas não resisto a enviar-lhe isto:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&hl=pt-PT&v=AP22Ys8__ro
Ia morrendo de tanto rir! A mim, parece-me a anedota do século, protagonizada, uma vez mais, pelos nossos amigos americanos...

Pedro Leite Ribeiro disse...

Não tem a ver com o conteúdo da postagem mas não resisto a enviar-lhe isto:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&hl=pt-PT&v=AP22Ys8__ro
Ia morrendo de tanto rir! A mim, parece-me a anedota do século, protagonizada, uma vez mais, pelos nossos amigos americanos...

Luis disse...

Parece que a camponia tem um doutoramento em Quimica, tendo publicado varios papers antes de se dedicar a politica.
E se exigissemos aos nossos politicos uma formacao ao nivel de doutoramento em areas cientificas? (nada dessas porcarias das relacoes internacionais)

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/0301010488871064

http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/ja00233a012

Luis

Combustões disse...

Importante, sim senhor, um doutoramento em Química ! Não é por isso que deixa de ser campónia e química deve servir-lhe para compreender o funcionamento da maquinaria do estado e, sobretudo, as correntes profundas da história europeia. No fundo, Luís, tem razão. Não é um doutoramento que faz um bom político, mas ajuda. Antes doutoramento que não o ter. Sei que o argumento é usual, sobretudo para quantos não têm estofo nem paciência para queimar as pestanas ao longo de meia década.

Luis disse...

Exigir o doutoramento elimina escória sem qualquer capacidade intelectual - digamos que é apenas a base. O estudo das relações internacionais e do funcionamento da maquinaria do estado, etc deve vir depois:-) se este princípio tivesse sido seguido não estaríamos à beira da bancarrota.
Luis

Combustões disse...

No fundo, a Angela Merkel tem uma boa garantia, a melhor da Europa: a Alemanha.