02 abril 2012

Plagiadores

Coube agora a vez ao presidente húngaro, Pál Schmitt. Há ano e meio, a ascendente estrela conservadora alemã, Karl-Theodor Freiherr zu Guttenberg, caía fulminado, vítima do crime de plagiato. O plágio é um crime de desonestidade académica. Alheando a sua dimensão jurídica - recoberta por legislação que protege a propriedade intelectual - o plágio é algo mais: trata-se de roubar obra alheia, omitindo a sua paternidade, um crime de natureza ética e deontológica, de usurpação e engano. Há quem se espante e insurja contra os plagiadores. Contudo, ao contrário daquilo que pensamos, o plágio é intensamente praticado e tende a instituir-se como uma prática corrente, pelo que se vai transformando em mero pecadilho. O plágio não é só praticado na academia. Ou não foi um dos Nobel português coroado por uma obra copiada, linha a linha, do velho, já esquecido e nunca traduzido Carlos Lobo de Ávila? 
No que à vida política, é um fartar de cheques-carecas de erudição pedida de empréstimo dez minutos antes das entrevistas. Fulanos que nunca abriram um livro, debitam Rawls, Adam Smith, Kant e Aristóteles. Outros, que não sabem a mera cronologia e não conseguem ordenar as dinastias portuguesas, usam e abusam da "pátria", da "memória" e do nome de Portugal.

1 comentário:

Isabel Metello disse...

Ui, quantos!!! Conheci um que não só publicou um livro plagiando uma tese como se gabava de elaborar uma tese de Mestrado em 2 meses! Pois!