16 abril 2012

O rigor dos nossos comentadeiros

Anteontem, o deputado Diogo Feio afirmava com grande convicção que o candidato às presidenciais francesas "Mechénlon" (sic) (Mélenchon) representava a franja extrema do radicalismo de esquerda. Ontem, com um sorrisinho adolescente - o Nuno ainda deve gostar de brincar com tanques e soldadinhos da Airfix - Rogeiro referia-se ao regime de Slobodan Milošević como "regime nacional-socialista". Cada um fala do que sabe. Compreendo agora a que ponto nos provincializamos. É tudo pela rama, tudo a fingir, cheques-carecas de erudição. Falta tudo, até um pouco de vergonha. O país precisa de uma boa barrela de modéstia e estudo. A tv está cada vez melhor !


2 comentários:

Chardon Ardent disse...

La stratégie de la peur maniée par Sarkozy avant le deuxième tour semble se préciser : une attaque de l'euro…

Une nouvelle crise bancaire pointe à l’horizon…

Le prophète G. Soros vient de s’exprimer sur l’euro… La Magie du Marché

Zephyrus disse...

Na universidade praticamente ninguém lê ou analisa as obras de referência. Aos alunos são fornecidos diapositivos com esquemas, tabelas e enumerações de dados. De onde veio aquela informação? Estará correcta? Quem memoriza os dados dos diapositivos e das sebentas tem boa nota garantida. Recordo-me como estudei a História da minha área de formação. Memorizei nos diapositivos das aulas da cadeira nomes de autores, datas, nomes de obras, e informação dispersa sobre a descoberta deste ou daquele nome da ciência. Mais tarde, quando li Hipócrates ou Paracelso, quando li as suas obras, constatei que tudo o que me fora ensinado estava errado. Com cursos de Bolonha de três anos ou mestrados integrados de cinco ou seis não há tempo para ensinar. Mais. Os alunos são sobrecarregados com apresentações de diapositivos. Os que se aplicam, ficam a saber mil e uma coisas sobre o tema da apresentação. Mas depois nas aulas não sobra tempo para o que interessa, o estudo das obras de referência. A nossa Universidade já era, no geral, muito má no tempo dos meus pais e dos meus avós. Com Bolonha ainda ficou pior. Portanto, não se pode esperar muito dos líderes deste país. Somos treinados para ser tapetes pois é mister agradar: as ditas avaliações contínuas, da participação e do comportamento, são uma tirania, que não raras vezes prejudicam os melhores, ou seja, aqueles que têm conhecimento e que o provam em exame e testes finais. Quem é diferente e está acima da mediocridade, é destruído pelo mobing. Este contexto social ainda agrava mais a desgraça que é o nosso sistema de ensino. É neste cenário que se formam os líderes do país.