20 abril 2012

O princípio do fim dos "bobos" ?


Domingo há eleições em França. Estou certo que serão as últimas da vetusta V República dos bobos (bourgeois) soixante-huitards, do laissez-détruire e das ilusões da generosidade paga pelos exauridos cofres de um país que se foi desagregando internamente no festim das mentiras. Hollande não me convence e convém lembrar que a insignificante, inerme e desvitalizada figura é uma segunda escolha após a defenestração do priapista Khan, que ao menos possuiu todos os condimentos da escola de Sade. Quanto ao outro - que se parece cada vez mais com um pequeno profiteur das docas de Marselha, un vrai con - está a correr para se livrar da barra dos tribunais.
Sobram dois candidatos estruturados: o Mélenchon, que tem garra de tribuno e que pelo estilo agastado e virulento, tanto poderia ser um líder fascista como comunista à anos 30; e a Marine Le Pen, que desdiabolizou a FN e quase surge como avatar de uma Jeanne la Pucelle libertadora. 
Convinha a todos - e sobretudo aos franceses - que a oligarquia os bobos terminasse e que após 30 anos de descalabro, a França se refizesse de tanto mal que lhe fizeram os meninos burgueses da Sorbonne de 68. A "limpeza ética" que tanta falta faz às estrebarias da República poderia ser o mote para a substituição da tirania dos banqueiros, dos tecnocratas e dos ómegas.

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