22 abril 2012

O povo francês fez-se convidar à mesa das elites



Uma profunda comoção terá sacudido esta noite os imponentes traseiros da classe política instalada há mais de trinta anos nos cadeirões da situação, na banca como nas multinacionais, na opinião que se publica, nas empresas fazedoras de sondagens por encomenda, nos meios do dito liberalismo obcecado pela globalização plutocrática. A maioria silenciosa dos pequenos, dos sempre preteridos, dos que não vivem dos favores nem dos concursos públicos manipulados, aqueles postos à margem pelos profiteurs das riquíssimas ONG's da filantropia paga; em suma, aqueles que vivem fora do aquário, vingaram-se e forçaram a porta do banquete sempre posto à mesa da oligarquia sem cérebro e sem mérito.

A França é um país culto e demonstrou hoje que não quer ser como os EUA - a Meca dos negócios -   como recusa as chamadas democracias do consenso, confiscadas ad usum bobos (bourgeois). A mise-en-scène estava feita, mas desfez-se perante a imponência dos resultados. Havia três candidatos (Hollande, Sarkozy, Marine) e três auxiliares destinados a cargos ministeriais. Bayrou queria ser primeiro-ministro de Sarkozy, Melénchon estava indicado como ministro dos Assuntos Sociais de Hollande e a estranha Eva Joly - que fez campanha apelando a Hollande - saiu da noite com o apodo de Senhora 2% colado nos verdes óculos ecologistas.

O maior derrotado da noite dá pelo nome de Mélanchon. Trata-se de um homem duro e agressivo, senhor de carisma indiscutível, mas de arrogância imensa. Deixou-se intoxicar pelo papel de coqueluche mediática, reuniu os seus partidários em Stalingrad - insistindo nos mitos falidos - e não obteve o voto daqueles que queria (a classe operária, que votou Marine), mas o voto do chique-gauchiste bobo. Aqui como lá, uma burguesia a puxar ao avançado a votar por causas que lhe cortariam cerce o pescoço. 

As eleições presidenciais, para além dos resultados objectivos, transportam matéria para oportuna reflexão. Em primeiro lugar, o fim dos mitos mobilizadores da cultura esquerdista. Os mantras e as fórmulas já não funcionam, a diabolização dos adversários já não surte efeito, a autoridade dos intelectuais caiu a extremos de caricatura e o medo instilado - muitas vezes com insultos aos que não votam conforme - desapareceu. Perdeu-se, também, a reverência pelas crenças e liturgias do liberalismo. O liberalismo, tal como tem sido aplicado, mostrou a que ponto a exaltação do individualismo e o livre-freio concedido ao "mercado" se esgotou. Os homens não podem ser deixados à solta. Não há dúvida que a necessidade de um Estado forte, presente e atento, surge como corolário após vinte anos em que o Estado quase desapareceu e se especializou em roubar pelo tributo para manter um modelo fundado na injustiça, no apoio aos madraços e na destruição sistemática de todos os pilares que justificam a existência de uma sociedade politicamente organizada.


Os resultados não devem infundir medo, nem apreensão, mas alívio; alívio por que as democracias continuam a funcionar  e os cidadãos se sabem sobrepor à manipulação e ao condicionamento. O resultado obtido por Sarkozy, o Americano, constitui punição exemplar. Contudo, o seu concorrente Hollande parece não ter conseguido o que se esperava. Figura frágil, um pequeno homem quase insignificante, mantém-se agarrado às estafadas promessas de um Estado dito social que se confunde  com pão e circo, em vez de ser  agente de promoção dos valores do trabalho, do mérito e da equidade.

2 comentários:

Chardon Ardent disse...

"Tout va très bien, Madame la Marquise"

Qui sera le prochain président français, ça n'aura certainement aucune importance quant aux affaires du Monde… Juste un problème franco-français… Que les Français aient une fois de plus choisi l'affrontement… une perpétuation de cette guerre civile larvée, c'est déplorable… Cette précipitation en masse vers les urnes témoigne de cet instinct de phalènes attirées par les feux de la rampe, rebelles à toute réflexion… Le rejet de François Bayrou en serait la meilleure preuve… Pour choisir, ils veulent du spectacle… peu importent les réalités.

De tout cela émerge un immense point positif, la défaite quasi certaine du gaullisme… Une immense victoire pour toutes les victimes de l'infâme criminel compulsif, DeGaulle… Les gaullistes qui pour ses millions de victimes, Berbères Arabes Européens Juifs séfarades FDS,n'ont jamais été des adversaires politiques, mais des ennemis de sang. Quel juste retour des choses, la défaite de Sarkozy quand précisément il renoue avec les méthodes les plus sordides et les plus mafieuses du gaullisme authentique, celles du SAC et de Charles Pasqua… Reste encore une incertitude, quelle sera la capacité de nuisance des gaullistes dans ces deux prochaines semaines… Se contenteront-ils d'une probable attaque des marchés sur l'euro, la France, l'Europe… Ou iront-ils jusqu'à susciter des évènements sanglants : attentats contre des personnalités voire la personne ou les proches du candidat aux abois… émeutes de banlieues… que sais-je encore…

Espérons pour Hollande, une très forte majorité le 6 mai prochain, celle qui lui donnerait les mains libres pour restaurer la paix civile… Mais en aura-t-il la volonté… Une occasion que n'a pas su saisir Chirac en 2002. Reste bien sûr à attendre les législatives en juin… Et après pourquoi pas, de grands procès pour enfin établir la vérité du gaullisme, et d'abord celui des toutes récentes manipulations autour de l'affaire Mohamed Merah… Une exigence de salubrité pour une restauration partielle de la paix civile… Restera le contentieux de 1789… du 21 janvier 1793 à 10 heures 22… Cela n'aura sans doute pas grande incidence sur les affaires du Monde… Juppé continuera à japper, mais dans le désert… La Syrie ne sera pas sauvée pour autant… Israël ne sera pas moins arrogant…

Et pourtant ce 22 avril aura été mémorable, marqué par un évènement exceptionnel… La victoire pour la huitième fois consécutive de Rafael Nadal à Monte-Carlo… Qu'il était beau communicatif réconfortant le bonheur du vainqueur ! Huit ans, un véritable règne, en attendant un prochain sacre à Roland-Garros… en passant par Madrid, puis Rome… Une actualité très riche en perspective… loin des mensonges et combines… Au fait pourquoi donc les Français détestent-ils autant Rafael Nadal et les sportifs espagnols ? Vu mon passeport, j'aurai la décence de ne suggérer aucune réponse. Saluons toutefois le refus de Rafael Nadal d'avoir le moindre contact avec ces ignobles prétendus journalistes de Canal+… Vamos Rafa !

Chardon Ardent disse...

"Tout va très bien, Madame la Marquise"

J'oubliais… Avant Madrid, Rome, Roland-Garros, cette semaine la seule actualité vraiment importante sera à Barcelone… Vamos Rafa !