27 abril 2012

O mistério dos pobres gordos

Só há muito pouco tempo me dei conta que os pobres são todos gordos, gordíssimos ou obesos mórbidos. O fenómeno não é português. Na Alemanha, Inglaterra, EUA e França, os ricos são magros e atléticos; as pipas humanas são, quase sempre, pobres. Na Ásia, onde subsiste a ideia da gordura como emblema de fartura, os ricos são gordos, os pobres magros.
É claro que há excepções: o Vasco Melena e Pá é gordíssimo, assim bem como os grandes ventres de uma certa dita-elite. Mas trata-se, neste particular, de outro tipo de pobreza: a de espírito.

3 comentários:

Farense Atento disse...

É que os pobres não tem dinheiro para comprar legumes, carne magra, leite magro, etc... Alimentão-se do que lhes é fornecido pelas instituições: Massa, bolachas Maria, sardinhas e atum em lata, leites de baunilha altamente açucarados...pão do mais barato, carne de porco da mais barata. Percebeu ou precisa que lhe faça um desenho? Gozar com a pobreza, é uma pobreza total de espírito...

Combustões disse...

Não é não senhor. A pobreza de espírito veio da comida americana, pois antes os pobres comiam bem, isto é, comiam sopas. A gastronomia alentejana - talvez da mais saudável em Portugal - foi sempre considerada "comida para pobres". Vá lá, não seja pobre de espírito. Leia.

scheeko™ disse...

É verdade: é mais um dos paradoxos da sociedade americana (Ocidental?). Comer bem passou a ser caro. E por bem, entenda-se, é saudável: alimentos de qualidade, de forma equilibrada.

Não é só a comida alentejana, em geral toda a gastronomia tradicional deriva da "comida de pobre". É que não é preciso grande imaginação para se fazer um bife. Mas quem tinha acesso a pouco tinha de fazer valer a criatividade para poder apreciar.

No entanto, o descartar de todas as culpas para a cultura americana não inteiramente justo. Em primeiro lugar porque a magreza não era sinal de saúde em todos os casos: pela ásia fora, muitos dos magros serão malnutridos. Em segundo lugar, porque o aumento da população a nível mundial e a ocidentalização da vida - com mais recurso ao consumo de carne - tornam a questão da alimentação para todos uma questão muito complicada.