04 abril 2012

O meu comunista de estimação


Tenho um comunista de estimação. É o BB, um senhor - um "homem de bem", como antes se dizia, quando ainda os havia - e sei dele aquilo que a maioria desconhece. Lembro com admiração o que fez pelo velho, doente e abandonado António Maria Zorro, que era o extremo político oposto de BB, mas por quem este comunista de lacinho e sempre impecavelmente vestido fez o que muito católico de cepa e patriota empedernido se recusou: visitar, estar ao lado do agonizante, dar-lhe alento antes da grande viagem.
Leio BB e concordo com quase tudo. O país está a morrer, devagarinho, entre a estupidez de uns, a incapacidade de outros, a miserável maldade de muitos. No fundo, o comunismo de BB é a sua narrativa. É um auto-engano, pois BB, ao contrário do que pensa, pensa e age como um patriota. É verdade que BB insiste no blá-blá-blá roncante dos amanhãs cantantes. Contudo, não acredito que acredite naquilo. Fá-lo por coerência, para não perder a face. BB acredita - e como eu muitos outros - que mudar Portugal não se fará jamais com revistas e teorias. Teorias há-as de sobra. O que importa é fazer coisas mas, sobretudo, servir fanaticamte o país, sem jamais duvidar que para lá dos indivíduos há uma nação. Como homem com biblioteca, devorador de livros e apaixonado pela língua portuguesa, ele já compreendeu que Portugal é maior que as querelazinhas, os ódiozinhos, as invejazinhas, as carreirecas dessa gentuça insignificante que tomou conta de tudo e não arredará pé antes que o país se afunde e desapareça.

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