25 abril 2012

Não acreditar naquilo que se diz


Passei o dia a consultar processos respeitantes às relações entre Portugal e estados não-comunistas da África e Ásia ao longo da década de 60. Ao contrário do que por aí se diz, por estupidez e ignorância, mas sobretudo por má-fé, os grandes líderes do chamado Terceiro Mundo - Hailé Selassie, Senghor e Sukarno - quase pediam desculpas a Portugal pelas posições que tinham de assumir. Hailé Selassie quase chorou em frente do Embaixador de Portugal em Adis Abeba, Faria e Maya, quando em 1963, pressionado, foi obrigado a cortar relações com Lisboa. Quanto a Sukarno, repreendeu duramente Nehru pelo ataque à Índia Portuguesa e, logo depois, afirmou que Timor era e ficaria português, pois reconhecia-lhe uma identidade tão distinta daquela da Indonésia que, integrar Timor Português na Indonésia seria uma agressão" (sic). Quanto a Senghor, aqui veio em 1974 para preferir uma conferência na Academia das Ciências. Esperava-se que fizesse, como as circunstâncias o impunham, um violento discurso anti-colonial. Para espanto e fúria da turba que o ouvia, Senghor lembrou que tudo devia a Portugal, até o seu nome, pois Senhgor quer dizer Senhor. Chega de mentiras. Desandem !

Sem comentários: