03 abril 2012

França e Salazar depois de Ploncard d'Assac


Está a concitar grande interesse em França a recente obra Salazar le Regretté (Salazar, o Suspirado), da autoria de Jean-Claude Rolinat, que depois de amanhã profere em Paris conferência sobre o fundador do Estado Novo. A relação de Salazar com França não é nova. Foram salazarianos muitos activistas católicos franceses da década de 30, sobretudo oriundos das bandas dos Camelots du Roi, assim como depois,durante o regime de Vichy o foram os mais relevantes intelectuais e jornalistas-doutrinadores apoiantes do Marechal. Lembramo-nos, entre outros, de Ploncard d'Assac, que se refugiou em Lisboa entre 1945 e 1974 e que foi um divulgador entusiasta do pensamento de Salazar. O renovado interesse por Salazar entre os franceses terá certamente a ver com a atmosfera política que se vive no hexágono. Tal como acontecera nos anos 30, na atracção pelo pensamento de Salazar pesará certamente a orientação in media res de um radicalismo não extremista, prudente e conservador, de um nacionalismo fundado na identidade cultural de matriz católica, na adesão ao consensualiamo integrador, na recusa das utopias, da desconfiança pelo cosmopolitismo e, até, do individualismo burguês.
Salazar é um pensador e até um autor de textos marcadamente literários. Os seus discursos são peças de rigor e podem figurar em qualquer antologia de literatura. Já é tempo de deixarmos os mortos aos mortos e tratar de os integrar no seu tempo. Sabemos, como dizia Zweig no seu belíssimo O Mundo em que Vivi, que "é mil vezes mais fácil reconstruir os factos de uma época do que a sua atmosfera emocional". Deixar de lado a apologia e a catilinária anti-salazarista, deixar Salazar morrer como homem, eis o melhor caminho para lhe apreender o espírito e estudá-lo enquanto um dos mais importantes marcos da cultura política (e literária) portuguesa do século XX. Só os patetas, os facciosos, os labregos do espírito o não querem ver.

1 comentário:

legião 1143 disse...

quando o povo pode escolher , escolheu-o como melhor português de sempre , uma coisa é certa foi o melhor estadista que já tivemos , vejo que temos em comum a frequência de alguns blogues.