10 abril 2012

Fantasias judaico-baptistas


Na biblioteca pedi o livro de Carla Melo sobre o Sião. Afinal, tratava-se de Sião a que aludia Camões, o Sião dos "protocolos", o Sião que não me interessa. "Carla Melo declara que não foi Portugal quem descobriu o Brasil, mas, sim, Deus quem foi o descobridor da Nação brasileira. Ela ora para que sejam derrubadas todas as maldições, criadas no início da história entre as duas nações". Isto é mais grave. Para os loucos de Deus - o Deus de Israel - Portugal manchou o Brasil e que havia uma "nação brasileira" antes de Cabral. Já há anos, uma criaturinha brasileira lamentava a "violação" do Brasil por Portugal. Para ilustrar a fúria contra o pai, lá vinha a catilinariazeca da escravatura e a fábula do "Brasil holandês". Lembrei-lhe que nunca haveria Brasil com os holandeses e que estes estavam lá, precisamente, pelos engenhos do açúcar. 
No que à "apóstola" respeita, o seu arzinho de pistis afogueada e o punho do fulano dizem tudo. Abri, li. A apóstola não escreve mal: "por mim teria ido buscar os filhos que ficaram em Portugal e sem qualquer dúvida encetava vida tranquilamente em Israel. Sair [de Israel] foi como que arrancar do peito o coração, era uma dor lancinante e as lágrimas rolavam espontaneamente no rosto (...)". Caramba, parece uma passagem de um dramalhete camiliano do género do Maria, não me mates, que sou tua mãe.
A apóstola e o apóstolo - a apóstola é casada com um apóstolo - continuam a podar nas videiras do Senhor. Sejam felizes, mas ponham por momentos o Livro de lado e leiam umas suculentas páginas do velho Gilberto Freyre ou do sempre jovem Viana Moog. Ali está o Brasil português, feito à imagem de Portugal, não esse outro Brasil dos maluquinhos dos candomblés, das seitas e igrejolas à americana. Bolas, Sião !

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