21 abril 2012

"Falar línguas"



Se há coisa que me aflige tremendamente, é a incapacidade das pessoas em dominar duas ou três línguas de comunicação universal, entre as quais o português certamente terá de adquirir lugar cativo. Dei-me conta há muito pouco tempo desta enorme fragilidade dos nossos compatriotas, limitação que nos coloca - na diplomacia, na ciência, na cultura e na política - em menoridade. 
Já conheci portugueses que, vivendo na Ásia, não só não balbuciam meia dúzia de palavras na língua do país de acolhimento, como não sabem construir a mais elementar frase em inglês. Também já assisti a prestações de  carácter académico, que sendo relevantes e sérias no acerto dos argumentos, se desfazem pela infantilidade chocante do mais básico inglês. Ouvindo esta já antiga prestação de Soares, que tem o topete de se dizer "francófono", fica-nos o instantâneo da imagem que os nossos deixam no estrangeiro. Uma falha a corrigir quanto antes !

9 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

uí, je panse lá mémé chóse à prupô de cé qui tiu di. Messiê Suárréz à ã tré cóniu à lá volontê pur dir namporte cuá. Le pliu derrole cé l'ansistance ã certénes pólitiques qu'on amenê l'Európe à céte situassion.
Ãnfã, le rést diu discur cé fé avéc les habitiuéles pároles d'oórdre.
Riã de nuvô.

Nelson Mendes disse...

A certificação de compet~encias linguisticas também poderia ser melhor. Há certificados que não valem nada e uns que deviam valer mais.

Margarida disse...

Somos, pelo que se diz e se me afigura, um povo especialmente dotado para as línguas e a apetência pela cultura do outro. Assim sendo, apenas a preguiça nos afasta de melhorar, incrementar e potenciar esse nosso 'dom'. Há dias tive este mesmíssimo seu pensamento ao ouvir o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças a discorrerem em inglês. Um, sofrível e hesitante, a roçar o básico, outro, seguro, sereno, equilibrado e bom.
Com tanto acesso à informação, basta interessarmo-nos pela formação. Pela auto-formação, se outra forma não for acessível. tudo é viável, basta querermos.
Queremos?

cardo disse...

" Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: – todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; – e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afectivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo.

[ . . . . . ]

Por outro lado, o esforço contínuo de um homem para exprimir, com genuína e exacta propriedade de construção e de acento, em idiomas estranhos – isto é: o esforço para se confundir com gentes estranhas no que elas têm de essencialmente característico, o Verbo – apaga nele toda a individualidade nativa. Ao fim de anos, esse habilidoso, que chegou a falar absolutamente bem outras línguas além da sua, perdeu toda a originalidade de espírito – porque as suas idéias, forçosamente, devem ter a natureza, incaracteristica e neutra, que lhes permita serem indiferentemente adaptadas às línguas mais opostas em carácter e gênio. Devem, de facto, ser como aqueles “corpos de pobre,” de que tão tristemente fala o povo – “que cabem bem na roupa de toda a gente.”

Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro. Há aí, diante dele, como o desejo servil de não sermos nós mesmos de nos fundirmos nele, no que ele tem de mais seu, de mais próprio – o Vocábulo. Ora isto é uma abdicação de dignidade nacional."

(Eça de Queirós, Correspondência de Fradique Mendes)

Combustões disse...

Sim, o Eça, tendo andado tantos anos fora do país, era um desastre de comunicação logo que se ausentava da sua secretária de trabalho. Uma boa desculpa autobiográfica para um cosmopolita.

cardo disse...

Falando com toda a franquesa, aquilo do Eça foi apenas uma provocaçãozinha da minha parte.

Agora, parece que o homem tinha razão no que respeita a influência que as línguas estrangeiras tem sobre quem as estuda: Medical Xpress.

Nuno Castelo-Branco disse...

Bõ, sá me fé ôçi suvenir d'ôtre cás de fliuãce lãguistíc de cê Messiê ê dê ôtre pórtiugué qui visite dê pêí êtrangê. Pár ezample, le méme Siuárréze ê ôçi Sócratêze, ãsite à parlê iune êcepésse d'espánhól. Pár le contrére, cã ã Ché d'Êtá é à l'êtrangê, duá tujur parlê nótre própre lãngue maternéle ê il fô dire que sé guerrótesque qu'õ minimálize le pórtiugué, sôlemã pur flatê nôs ami ferraçé qui d'aieur parle trés mal dê zôtre idiôme. Le Ché d'Êtát ê le prêmiê ministre õ dê intérpréte peiê pur sá.
Tu sá sé tiume quéstiõ d'êrgueil nacional ê dinhitê. Dê chôze qu'il ne compréne pá.

jakim disse...

Falando de português:
Será correcto dizer " é incapacidade das (ou de as?) pessoas em (ou de,ou para?) dominar
(ou dominarem?) ....
"Incapacidade em"?

jakim disse...

Por português:
Será correcto escrever "é incapacidade das (ou de as?)pessoas em (ou de? ou para?) dominar (ou dominarem?).......
"Incapacidade em"?