25 março 2012

Devo estar a ficar velho

Um dia inteiro de reclusão, sentado em frente da secretária, dando toques finais na dissertação de quase 500 páginas que me consumiu quatro anos e meio de vida e trabalhos. De duas em duas horas, uma peça de fruta ou uma sopa trazidos pelo empregado. Nesses intervalos, abro a tv e faço o zapping aos canais portugueses, que por ausência dos futebóis se dedicam ao congresso do PSD e ao congressinho da JS. Varado fico pelo simples motivo de ali, tudo espremido, não sair uma gota. Discursatas vão-de-escada, um português inqualificável, gente banal a despejar banalidades, uma pobreza de horizontes e ideias que faz dó. O que ainda salva tudo isto é o Primeiro-Ministro. Creio que nunca leu um livro, que não sabe onde fica a Biblioteca Nacional e falharia em qualquer exerciciozinho do Trivial, mas parece-me honesto e quando comparado com as holotúrias, as alforrecas e os colóides a que o regime nos habituou ao longo dos últimos trinta e tal anos, nele vejo um gigante de boa vontade.

2 comentários:

Bmonteiro disse...

Presumo que tenha as mãos limpas.
De uma caixa de sapatos cheia de notas em cash, devolvida à procedência de um qq pato bravo,
à pensão especial de deputado que não requereu.
Raro, senão único.

João Amorim disse...

Cada vez mais novo! Caro Miguel