29 março 2012

Coisas que as pessoas não sabem: a esquerda colonialista


A propósito DISTO. Só hoje a li e pensei tratar-se de coisa inquinada pela má-fé e desonestidade. Depois, cheguei à conclusão tratar-se de simples ignorância. Já é tempo das pessoas perderem o atrevimento de falar do que não sabem. É tempo, também, de abrir uns livros. A desmitificação é um dos principais pilares da atitude científica. O Daniel fala muito, escreve mais ainda e opina sobre o que sabe e não sabe. Um dos temas recorrentes do Daniel é o colonialismo. Caramba, Daniel, informe-se e deixe-me que lhe lembre que aquilo a que chama de "colonialismo" é coisa recente, francesa e de esquerda.
A esquerda francesa foi a mais entusiástica defensora da criação do império colonial. Após a queda do II Império, coube a Jules Ferry e ao seu governo republicano incentivar o recobro da energia francesa pela adesão a um programa unificador. Que programa ? Dar um império à França. Quem queria oferecer à França o seu império colonial ? Os banqueiros ? Os produtores de armas ? Não, um homem de esquerda, o pai da Escola laica e influente maçon Jules Ferry.
A direita opunha-se ao império e era anticolonialista por duas razões maiores. Em primeiro lugar, sendo nacionalista, preferia a via do irredentismo (recuperação da Alsácia e da Lorena) ao da subjugação de outros povos. Em segundo lugar, ponderando os custos envolvidos na criação de um império ultramarino, a aventura colonialista seria pura perda de dinheiro. A direita defendia o investimento em França, aprofundando a industrialização, assim como tirar partido dos meios financeiros da banca para facultar empréstimos seguros a outros países europeus, nomeadamente a Rússia, Portugal e a Grécia.
O entusiasmo pelo império não terminou por aí. Foi à esquerda francesa que coube a defesa enérgica da ideia da Missão Civilizadora. Após a Segunda Guerra, Mitterrand e Georges Frêche opuseram-se a quaisquer independências. A OAS chegou a ser apoiada pelos socialistas-radicais na luta contra a traição de De Gaulle de abandono da Argélia Francesa. Há que lembrar estas pequenas coisas a muito papalvo palrador.

4 comentários:

Pedro Leite Ribeiro disse...

Se não me engano, uma das mais fortes razões invocadas pelos republicanos para a participação activa de Portugal na I Guerra foi a manutenção das colónias. E o Ultimatum, tão usado pelos republicanos como pedra de arremesso contra a monarquia? Não se fartaram de acusar o Rei por ter sido incapaz de defender o Mapa Cor-de-Rosa da cobiça britânica? Não foi em 1822 que a Monarquia Portuguesa deu, embora sem efeitos práticos, a primeira machadada no colonialismo português (para o bem e para o mal) ao constituir o Reino Unido de Portugal e Brasil, um dos primeiros Estados federais da História? Não foi o próprio príncipe herdeiro a antecipar-se declarando a independência do Brasil?

Nuno Castelo-Branco disse...

Perdes o teu latim. Achas que ele faz a mínima ideia daquilo que lhe dizes?

David Levy disse...

Ainda perde tempo com o DO...
Só não percebo como é que lhe dão tanto tempo de antena: SIC, Expresso,... aquilo basicamente é um tudólogo que embrulha o discurso em carradas de demagogia. Se reparar parece que não há pessoa mais ética e correcta do que ele....

Chardon Ardent disse...

Excellent rappel… François Mitterrand était Algérie française… La guillotine - hormis pendant la Terreur - n’a jamais autant fonctionné que lorsque François Mitterrand était ministre de la Justice dans les années 50… Lui qui ensuite, Président, a fait abolir la peine de mort ! Amusant à signaler quand Frédéric le neveu éternellement déculotté fait tout ce chichi à propos de la dispersion de la collection Meysonnier, le Monsieur d’Alger, le dernier bourreau là-bas…

C’est vrai que ce sont des hommes de gauche qui ont voulu l’Empire… Le petit peuple d’Algérie, celui de la Calère bas quartier de la Marine à Oran, ou celui de Bab-el-Oued à Alger était de gauche. Il votait SFIO, voire communiste… Ce sont eux qui ensuite étaient les plus fervents défenseurs de l’Algérie française… ces fachos ! Belle inversion, alors que les « gros » avaient choisi dès le début de l’insurrection en 1954, l’indépendance…

Petit peuple, le plus souvent d’origine espagnole maltaise italienne, qui était devenu français au plus profond de ses tripes… Petit peuple qui n’a pas compris la trahison de DeGaulle, en fait de la France métropolitaine dans son ensemble et qui n’a jamais voulu comprendre que le petit peuple de France, celui de l’autre côté de la Méditerranée au nord avait fermement décidé de balancer l’Algérie… Petit peuple d’Algérie converti à l’OAS : l’OAS de tous les excès, l’OAS de toutes les erreurs… Brave, mais sans aucune maturité politique…

C’est Ian Smith qui peu d’années après nous a donné une leçon… Aurait-il été inspiré par l’échec algérien ? Il était arrivé un moment où il convenait de dire une fois pour toutes « merde » à la France… Certains, une infime minorité l’ont compris… contre une hostilité quasi générale de la population européenne… Une faction de l’OAS réaliste et déterminée contre celle du suicide, de la terre brûlée, de la fuite… Faction dont Jean-Jacques Susini a été le représentant le plus ardent… Raoul Salan, lui-même s’était rallié à cette option… Et, il a été arrêté précisément le jour où il devait pour la première fois rencontrer des interlocuteurs algériens indépendantistes… Coïncidence ???

Cela n’a pas empêché que des groupes de combat se constituent pour construire une Algérie réconciliée mais séparée de France … projet qui finalement a débouché sur la volonté de défense d’une « plateforme territoriale » en Oranie… Face au déferlement du FLN de l’extérieur depuis le Maroc tout cela a été balayé… Cela nous aura au moins permis de sauver quelques Harkis et de les embarquer pour Toulon depuis Mers-el-Kébir… C’est avec quelques uns de ces Harkis que, sur un bateau militaire, j’ai quitté l’Algérie, un 17 juillet 1962…

Aujourd’hui les gaullistes sont toujours au pouvoir en France… Ils promettent à nouveau la terreur… La résurrection du SAC… Un SAC nouveau… Toutes les manipulations sont concevables pour conserver le pouvoir… Des épouvantails sont agités, insécurité islam islamisme immigration… Et le petit peuple, celui des « Français de souche » allié à celui de la diaspora des Français d’Afrique du Nord, ne comprend toujours rien… Syndrome de Stockholm  ? Syndrome du survivant ? Ils gueulent, ils approuvent, ils applaudissent. Et ils s’apprêtent à voter pour les démagogues qui leur content les plus belles histoires d’horreur… Tous des Petits-Blancs.