02 março 2012

Aqui estão os salvadores da Líbia



Imagens captadas em Bengazi no passado dia 24: os novos senhores da Líbia destruindo um cemitério de guerra da Commonwealth e derrubando a cruz. Uma excelente lição dada aos idiotas úteis e à estupidez inteligente que por todos os meios quis ver naquela revolução - armada do exterior - uma primavera democrática. As pessoas são, na generalidade, crédulas e pouco argutas. Conclusão. Melhor seria que não opinassem e se remetessem à insignificância dos seus afectos. Diabolizaram Kadhafi. Agora que se pronunciem se têm um pingo de decência. Este é o único Islão.

2 comentários:

Du disse...

Isso é a turba, muito antes que o islã. Assim digo para enfatizar a percepção de que, com frequência, aqui encontramos perspectiva histórica flagrantemente enviesada, amparada por crítica valorativa não explicitada que faz das opiniões, para todos os efeitos, soarem contraditórias.

As premissas são bem postas: atos (ignorados) de violência, usurpação e sadismo legitimaram-se de um lado, porque se enquadravam em um momento histórico específico e serviam à melhor civilização europeia cristã - e católica; atos de características e resultados semelhantes, ao contrário, aparecem aqui como decorrências lógicas de uma religião, de um regime político ou, claro, de uma circunstância histórica onde determinados valores de outrora têm sido minimizados, combatidos, extirpados.

Como simplesmente imputar a prática de memoricídio e intolerância, na forma de ações congênitas, a um grupo, a uma cultura (o que abarca o último texto sobre os os líbios, está às claras), se não vemos em nenhum momento crítica a respeito da razão de ser do direito à memória no Ocidente, que, naturalmente, foi precedido, em muitas passagens da história monárquica-cristã europeia, pela mais absoluta violência e desumanidade contra outros povos e culturas?

O que vejo é que a tese monárquica dificilmente será acolhida em países que as abandonaram institucionalmente se a defesa dessa tese não for capaz de demonstrar que os excessos e as injustiças cometidos no passado, por vários regimes monárquicos, tinham como causa, sobretudo, circunstâncias históricas diferentes das que temos na Contemporaneidade. Isso implica assumir que regimes de todo tipo estão sujeitos aos erros próprios da humanidade; implica deixar o pedestal do elitismo e explicitar a História e a Filosofia. Não se há de supor que as pessoas, hodiernamente, aceitem um discurso vanglorioso, saudosista, melancólico, que dispõe de estatísticas e de conquistas históricas, mas que olvida processos, que ignora o "como" e as antíteses de todas as coisas.

Aqui, testemunho simplificações das mais inócuas: a civilização europeia monárquica-cristã aparece previamente escusada, porque, como dito, a crítica valorativa já está feita, ainda que não explicitada: "Vive Louis XVI". Todas as mazelas verificadas no passado, cuja história se entrecruza à de vários regimes, aparecem como consequências específicas de tudo o mais que não esteja diretamente vinculado aos elementos mais essenciais do conjunto monarquia-católica-europeia. A culpa é do islã e do Lutero? Que seja, mas sem romantismos simplórios, pois eles servem muito bem à verve, mas talvez deixem a desejar a uma viva defesa da realidade. Assim não se vai longe.

skocky disse...

Os meus respeitos pela sua inteligência sagaz!
Por questões de saúde e pelos acontecimentos que aqui aprecia com lucidez e coragem, quero dizer, a ´assim chamada` ´Primavera árabe`, deixei de ´blogar`...
Muito grato pelo estímulo!

Alcyone