12 fevereiro 2012

Pelo bom caminho


Não participo em actividades políticas de qualquer natureza, mas hoje abri uma excepção. Tratava-se de Política e res publica, termos que de tão prostituídos e aviltados, acabaram por se transformar no contrário daquilo que representam: cidadania e vida pública. Em Portugal, custe a quantos se esmeram na arte do ludíbrio das fórmulas,vivemos desde há muito sob a conjugação do jugo da servidão e da anomia dissolvente. 

Quando se perde a relação dos homens com a vida política, quando tudo o que é fundamento institucional, material, espiritual e intelectual se dissipa e em seu lugar se erigem ficções de legalidade e ordem que não chegam aos corações; quando os cidadãos já não reclamam, por medo ou por impossibilidade, aquele direito elementar à participação naquilo que é deles, vive-se em tirania. Não é, certo, a tirania que enche prisões, persegue, executa; trata-se, talvez de uma forma de tirania que se desconhece a si mesma, mas não deixa de ser tirania, por mais benigna que seja. As tiranias contemporâneas privatizam o espaço público, promovem artificialmente elites, condicionam e manipulam a informação e a educação, dão ao dinheiro mais dinheiro e substituem a espontaneidade pelos apaniguados, pelas seitas e pelos grupos informais.

Recentemente voltou a falar-se na Restauração da instituição real. Aqueles que durante décadas haviam desconsiderado a limites de grosseria os monárquicos, assustaram-se pelo retorno da possibilidade. Da anedota, do humor raivoso e do desprezo, passou-se subitamente a um interesse quase suspeito, aproximação que de tão afável e próxima chega a incomodar. É o velho instinto de sobrevivência das oligarquias. Por outro lado, tal gente parece surpreender-se com a firmeza - sempre polida - dos monárquicos, pela demonstração que fazem das suas convicções e, pasme-se, pela notória superioridade que demonstram em todas as ocasiões em que lhes é permitido furar a censura sem nome.

Hoje foi apresentada no Centro Nacional de Cultura a equipa que nos próximos três anos dirigirá a Real Associação de Lisboa. Tudo o que ouvi dos futuros responsáveis é motivo para as melhores expectativas: gente limpa, informada, clara, sem pretensiosas afectações académicas e capaz de aplicar um programa de acção. Está para trás, finalmente, o tempo das fantasias, dos integralismos, das pedaturas e brasonários. Agora vai ganhar corpo a campanha pela adesão de inteligências e corações. Ao grupo dirigente, que incluiu pessoas respeitabilíssimas, só posso desejar o maior sucesso. Estou certo que não desiludirão, pois ali está a mais interessante conjugação de boas-vontades e militantismo no campo monárquico desde os velhos tempos da Nova Monarquia.


5 comentários:

PEDRO QUARTIN GRAÇA disse...

Caro Miguel,
A esperança é mesmo a última coisa que se deve perder...

Nuno Castelo-Branco disse...

Há mais de 20 anos que não me sentava numa plateia para assistir a um evento deste tipo.

João Távora disse...

Pela minha parte, agradeço as suas benévolas palavras, Miguel. Certo é o enorme trabalho e responsabilidade que recairá sobre esta equipa na promoção do prestígio e notoriedade da nossa instituição real, reserva moral da nossa Nação tão profundamente ameaçada.
Cabe agora aos associados legitimarem este projecto em Assembleia Geral no dia 25 de Fevereiro.
Cordeais cumprimentos,

ARTUR DE OLIVEIRA disse...

Deixo os meus sinceros votos para que esta nova direção da RAL se bata como leões na defesa da monarquia,enfrente o regime sem medo e que tenham as melhores estratégias políticas. Em frente, com o Rei no coração e mente e a bravura de Paiva Couceiro. Real! Real! Por El-Rei de Portugal!

joshua disse...

Tenho mantido firme o meu ânimo.