04 fevereiro 2012

Monarquia e República: mitos e ressentimento



Ontem, no debate entre monárquicos e republicanos, procurei a via do esclarecimento, acima dos insultos ao actual chefe de Estado - bombo de festa para as mais desvairadas atoardas - e acima da politiquice que só degrada a liberdade. Abordei a dimensão psicológica do anti-monarquismo, o ressentimento, os "tramatizados-sociais", bem como os mitos e essa enorme ignorância intoxicada de panfletarismo que foi passando ao longo de décadas e se transformou em doutrina. Infelizmente, parece que só consegui um interlocutor, o Dr. João Soares, que foi cordato e soube discutir com serenidade um tema que já faz parte do calendário político português. O ambiente não convidava, decididamente, a entrar no cerne do debate de natureza politológica.
Os monárquicos não podem envolver-se em guerras contra o Chefe de Estado - seja ele quem for - pois isso é guerra que não interessa. Não podem os monárquicos ser utilizados como peonagem em lutas da mais chã politiquice, pois o que de nós se espera é pensar acima dos partidos e acima dos interesses. Foi, infelizmente,um debate adiado.

5 comentários:

George Sand disse...

Mesmo sendo um debate adiado, foram importantes as muitas referências que deixou como sugestão de aprofundamento/estudo. Penso ser essa uma via muito importante.
Gostei muito de o ouvir.

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Parabéns! Manter a postura e a concentração no que é essencial, tentando com frieza e elegância elevar um debate diante da sabotagem daquele moleque de azul e branco (até nisso o tipo demonstrou o quanto é ridículo, ignorando a importância de algo tão essencial como os símbolos), é coisa para quem possui nervos de aço.
Aquelas risotas de despeito intercaladas com aquelas tentativas pueris de interromper o seu raciocínio, que levava a paisagens totalmente desconhecidas dele, tentando assim limitar o debate ao que ele domina razoavelmente, o agit-prop, tiram a maioria das pessoas que se esforçaram por encontrar a verdade do sério. Só faltou ele tirar o sapato e começar a bater na mesa.
Fica a lição: com idiotas não se faz um debate.

Um abraço.

Felipe de Araujo Ribeiro disse...

Fantástica participaçao, Miguel. Em pouco mais de 11 minutos despertou mais interesse do que intermináveis horas de discussoes "do regime".

Samuel de Paiva Pires disse...

Muitos parabéns pela excelente intervenção, caro Miguel. Tive pena de não estar em Lisboa para poder assistir. Só é pena que estejamos sempre no grau zero da explicação aos alegados republicanos de coisas básicas em vários domínios, da Psicologia à Sociologia, passando pela História e Ciência Política. A "traumatização social" e os preconceitos sem fundamento ainda vão fazendo escola, infelizmente. Mas lá vamos levando a água ao moinho...

joshua disse...

Gostei imenso de te escutar. O meu aplauso.