02 fevereiro 2012

Blackout


Não sei se repararam o total blackout das várias rádios Moscovo a propósito da atribuição da condecoração à Infanta Dona Adelaide de Bragança. Contrariados - amofinadíssimos, claro - os vários Propagandaministerien lá concederam o meio minuto para os intocáveis. Não, essa liberdade proclamada na lei da imprensa é a liberdade para ocultar, distorcer, enganar e, se possível, ridicularizar, escarnecer e ironizar de tudo. Aquelas cabecinhas semi-letradas não servem para mais.
Estou, podem crer, com terríveis ganas de partir para um novo exílio voluntário. Isto é irrespirável !

4 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Curioso, estive com atenção aos diversos telejornais e não vi coisa alguma. De facto, tanto a SIC como a RTP devem ter feito algo, pois é possível ver uns excertos das comemorações no youtube. Terão um horário secreto? Que estranho...
Imagina-se o que teria sido se D. Adelaide tivesse sido nazi! Aposto que não se calavam por um segundo, arranjando imagens, testemunhos, etc. Em suma, mesmo centenária, a Infanta não lhes convém e mesmo assim, foram "eles" que tiveram de ir à "toca do lobo", isto é, ao local onde a Infanta estava rodeada pela família e seus amigos. Assim mesmo, nada de 10 de Junho no meio de comendadores dos bpn's e afins. Tudo isto seria impossível ainda há uma década e a carcaça do Afonso Costa deve estar a contorcer-se.

Carlos Velasco disse...

Caro Miguel,

Isso é mais um tiro pela culatra do regime. As pessoas se apercebem rapidamente de que as televisões omitem e/ou distorcem os factos, cumprindo uma agenda que já nem é discreta, mas verdadeiramente descarada. Quanto aos tolinhos que acreditam que a realidade coincide com o que vem naquela caixinha de horrores, ou melhor, que ficam sentados vegetando em frente ao televisor, esses vão para onde a maré os leva, e a maré está a mudar.
Não por acaso o regime investe pesado na sua brigada de comentadores na net para dar a impressão aos ingénuos de que a maioria pensa como deseja o regime.
Mas basta falar com o homem da rua para ver que não é assim. O maior problema de Portugal - e essa é a classe que sustenta o regime - é constituído pelos semi-letrados que papagueiam o discurso oficial para simular inteligência. Mas esses também não contam, afinal, vão para onde for a boiada. O que eles querem é aprovação social, e quem tem medo de que os outros o olhem feio não vale nada do ponto de vista político.

Um abraço.

Pedro Leite Ribeiro disse...

Por acaso vi uma reportagem na televisão, em http://www.youtube.com/watch?v=_afveeNJ0U4. Mas, sem dúvida que merecia muito, muito mais!

João Pedro disse...

O Público de hoje, Domingo, traz uma reportagem de duas páginas sobre D. Adelaide.