17 janeiro 2012

Vergonhas parlamentares. Hoje, na Madeira




Estou cada vez mais nauseado com o descaminho que leva este arremedo de parlamentarismo à portuguesa. Das três, uma: ou o parlamento para senhores e senhorinhos, censitário, feito de beati possidentes, conquanto não tenha a fauna dos merceeiros-móres e da banqueiragem meia-branca; ou o parlamentarismo das ordens profissionais e institutos, que meta bispos para conter acessos de esgana; ou o não-parlamento, vazio, solene, como aquele que deixou Bonaparte após o 18 de Brumário. Assim, não dá. Salazar deve estar a dar flick flacks à rectaguarda no seu pequeno túmulo de pedra-rasa.
A democracia exige civismo e não pode conviver com situações destas. Há criticas realistas à soberania popular desde Platão; aliás, nunca nenhum filósofo creditado jamais foi entusiasta da democracia. Porém, tendo-se demonstrado que é o sistema que mais evita a arbitrariedade e a violência de um contra-todos, ou de alguns contra todos, pelo deve ser amparada por severos códigos e regimentos que impeçam que se transforme naquilo que já o é há muito: a mais rápida e menos arriscada forma de  promover a corrupção inimputável, a demagogia desenfreada e a destruição da inteligência. Quando as democracias se transformam nisto, são as melhores parteiras das espadas e do poder solitário. Para lá caminhamos, não tenham dúvidas !

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