05 janeiro 2012

Parece haver um caminho: sair do Euro, não pagar a dívida e voltar ao Atlântico

2 comentários:

NanBanJin disse...

Caro Miguel,

Ainda que tenha muito a concordar com praticamente tudo o que aqui é dito, nesta peça, e de modo muito claro, há algo que continua aqui — e como sempre —, por dizer:
a crise financeira, a incapacidade de pagar dívidas astronómicas por quem já tem, há muito, a corda ao pescoço, o completo colapso das estruturas económicas e financeiras da Europa, América do Norte e do chamado '1º Mundo' em geral (Japão aqui incluído), não é um problema de "conspirações de bastidores" de sinistras e titânicas organizações. Não.
Essa sempre existiram e até já foram bem benéficas para todos nós, por muito que pouquíssima gente o reconheça.
É, na verdade, algo de muito mais simples: é um problema de produção de riqueza, mais nada.

A partir do momento em que ninguém desse lado do mundo quis mais 'sujar as mãos de óleo na máquina da fábrica, ou dobrar as costas na lavoura' (citando uma figura muito conhecida do século transacto) foi quando a sentença de morte desse tal 'mundo industrializada' transitou em julgado.

E já está há algum tempo em fase de execução — com o grosso da produção industrial mundial em mãos chinesas e sul-asiáticas, não há mais lugar a queixumes: a guerra, a verdadeira guerra de que o conferencista desta peça não fala, essa sim, está irremediavelmente perdida para o Ocidente.

É que numa coisa, pelo menos, Feuerbach, Marx, Engels e seus acólitos tinham toda, toda a razão: quem verdadeiramente conta é quem produz, quem nos garante, a todos, "condições materiais de existência".
E a verdade é que estas se manifestam, isso sim, em BENS, bens materiais — bens de uso e bens de consumo, os tais que aparecem nas montras, nas estantes, nos manequins da boutique, nas prateleiras do hipermercado ou da 'mega-store', os tais que reluzem em placas giratória em "salões auto" com elegantes senhoras a adornarem a peça, bens palpáveis, bem complexos e repletos de componentes, bem que fazem a riqueza de uns e a inveja de outros, e dos quais ninguém, absolutamente ninguém prescinde.

Quisemos todos que outros se sacrificassem em nosso lugar para os termos a bom preço e com pouco esforço?
Agora não nos queixemos.
Fomos nós todos quem cavou esta vala comum.


Feliz Ano do Dragão,

L.F. Afonso, de Fukuoka, Japão

JCM disse...

Não leram a dialéctica do senhor e do escravo do velho Hegel. A ignorância paga-se caro.