22 janeiro 2012

A morte que se dane


Cumprem-se estes dias 70 anos sobre o fim da batalha de Estalinegrado, que alguns insistem ver como o choque de duas ideologias extremas, materialismos irmãos inimigos que se sangraram até à exaustão. Os milhões de homens envolvidos pela roda do destino não partiram, porém, para o campo de batalha com entusiasmo militante nem por devoção a Hitler ou Estaline. Fizeram-no pelas suas pátrias, pelas suas famílias e tudo quanto dá sentido à vida. Os russos oraram a Nossa Senhora de Kazan, pediam força ao Arcanjo, ajoelharam-se perante os ícones e tomaram o alimento da eucaristia que os seus padres ortodoxos lhes deram antes de saltarem e correrem para a morte. Quanto aos alemães, esses fizeram da Madona de Estalinegrado o símbolo da fortaleza de Estalinegrado que foi a tumba de um exército inteiro.
Aqueles que governam o mundo ainda não compreenderam que os homens não se sacrificam pela bolsa, pelo dinheiro e pelos negócios. Os mendigos mentais e espirituais que enxameiam as catedrais do dinheiro não compreendem, decididamente, os homens. As pessoas, felizmente, aspiram a mais e até suportam a exigência do sacrifício supremo (devotio) quando confrontadas com a imponência do sagrado.

2 comentários:

Bmonteiro disse...

Poderá ter sido sido assim nesses tempos.
Entretanto e com as democracias, abolidos os exércitos nacionais do tipo napoleónico, a Nação em armas, surgiram os exércitos ditos profissionais.
Voluntários por opção no topo e 'voluntários'na base por necessidade, mais perto dos exércitos de mercenários, que também surgiram em Roma.

Zephyrus disse...

Para o Cristianismo Primitivo, Gnóstico, a vida mais não era que uma «escola» para o espírito, e a morte um recomeço. Saudações.