06 janeiro 2012

"Marcenarias"


Seria bem melhor que toda esta rapaziada da política - cheia de sangue na guelra mas também de responsabilidades públicas (porque foram eleitos) - não estivesse 'inscrita' ou pertencesse a coisa nenhuma: a reputação é sempre difícil de limpar, principalmente quando não é possível dizer olhos-nos-olhos a verdade e toda a verdade; pelo menos sem rir. Montenegro não tem maneira de provar "que não pertence" e os outros - desobrigados de "provar que pertence" - exploram o filão das suas incomodidades. Estes clubes "dos Cinco" e "dos sete" na sua casa da árvore não fazem sentido e deviam ser banidos. Se continuarem servirão sempre de possível fachada, protegida por lei, a toda a sorte de artimanhas. A classificação de "Loja Maçónica" é um escudo, é o bode que se traz prudentemente à trela quando se sai a vigiar as feras do Parque, é o pára-raios das desconfianças, é "A BARBA" (the beard) como diria Woody Allen - uma coisa para desviar as atenções. Ou então - pobres rapazes - eles gostam mesmo daquelas merdas das vendas, das 'mortes', dos 'dédalos', das luvas, dos aventais, dos esquadros, dos sabres-da-guarda-municipal, do xadrez no pavimento, das barretinas e tricornes e dos "trabalhos" - assim como das passeatas em número ímpar. Pelo Amor de Deus!

Quem assim se expressa é uma misteriosa personagem que assina Besta Imunda, talento camiliano a quem peço por amor de todos os santos e potestades que abra loja bloguística (salvo seja) e nos presenteie com fulminantes raios, como aquele que retiro de um comentário que deixou no nosso amigo e confrade Palavrossaurus Rex. Há tempos, no Metro, ouvi uma fulana - mulher do povo, sem arrebites e afectações micro-burguesas - dizer a uma amiga: "ó Joaquina, isto agora são tudo marcenarias".É-me indiferente que as pessoas se metam em grupos, seitas e curibecas, durmam no chão gélido e sintam arrepios de prazer quando estranguladas pelo cilício. É-me indiferente que andem de gatas, se espolinhem pelo chão, apertem as mãos umas às outras de mil e uma maneiras possíveis, façam retiros espirituais para contarem a todos os consectários os pormenores mais escatológicos da sua intimidade ou se submetam ao controleiro que lhes controla o ordenado. Contudo, não posso aceitar que gente que abdicou da sua liberdade me possa prejudicar pelo facto de não pertencer ao grupo. 
O ser humano será o único animal que procura voluntariamente a servidão para se furtar ao dom que o distingue da restante criação: a inteligência.

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