24 janeiro 2012

A Madre Teresa de Portugal é viva e é Princesa de sangue e espírito


O chefe de Estado assinou hoje o despacho que confere a Ordem de Mérito a Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança, neta do nosso Rei Dom Miguel I e Infanta de Portugal. Resistente ao nazismo, que a condenou à morte por haver acolhido em sua casa muitas pessoas perseguidas pela Gestapo, foi salva in extremis graças à intervenção do Professor Salazar. Depois, dedicou décadas à promoção da ciência e da investigação médica, antes de se consagrar, até limites inumanos de entrega, aos pobres e excluídos. Foi uma mãe para milhares de crianças: recolheu-as das ruas, vestiu-as, alimentou-as, educou-as; em suma, foi assistente social, foi enfermeira, foi cozinheira, foi lavadeira e o apoio moral e espiritual para quantos, condenados pela insensibilidade à rua e à vagabundagem, se tornaram homens e mulheres decentes. São estas as pessoas, de actos e não só de palavras, que salvam a humanidade. São estas pessoas que merecem subir aos altares dos que crêem e aos pedestais daqueles que não crêem. A Infanta Dona Adelaide, cujo aniversário centenário se celebra no próximo dia 31 é merecedora da nossa humilde e insignificante gratidão. Será, talvez, a mais importante portuguesa viva. Ao pé dela, milhões de misseiros e água-benteiros não passam de caricaturas. A Infanta é, exactamente, a Imitação de Cristo.
Uma homenagem que há muito se impunha.

5 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Finalmente...!

Isabel Metello disse...

Desconhecia, mas então É Uma Alma Sublime Simila rà do Sr. Cônsul Aristides de Sousa Mendes. Estes Exempla É que Deveriam ser Canonizados pela Sua Sublime e Evangélica Descentração! Mas já o Foram por Deus, que é o que interessa! A nossa praça pública está plena de ídolos de barro que, ao contrário, só pensaram nos seus interesses egocêntricos e plutocráticos endogâmicos e entrópicos. Exempla assim até nos Dão Ânimo para continuar a lutar contra a ignomínia há tanto tempo impune!

João Távora disse...

Gosto particularmente da maneira como termina o texto.
Abraço

José Pedro Ribeiro disse...

É no carácter que se encontra a verdadeira nobreza, a única que conta. Sendo todos nós parte da Humanidade, todos nós lhe estamos em dívida.

Pedro Botelho disse...

Deparei na internet com diversas e contraditórias versões dos feitos de «resistência» e motivos da alegada «condenação à morte», desde a versão mais simples que se resumia a «ouvir a BBC», até aos enredos mais imaginativos que incluiam «esconder judeus» e até «participar no atentado de 20 de Julho de 1944». Talvez algum dos leitores deste blog me possa informar melhor sobre os factos reais, nomeadamente quanto à fiabilidade das fontes, a começar pelo que a própria eventualmente afirma ou desmente. Por exemplo: como é que se sabe que houve uma condenação à morte? Houve algum julgamento legal ou participação à detida ou sua família de alguma intenção de execução clandestina? E se não houve nada disso como é que Salazar soube da «condenação à morte» a tempo de interceder? O que parece mais ou menos seguro é que Maria Adelaide de Bragança cumpria a sua função como enfermeira no meio da devastação provocada pelos bombardeamentos aliados; nessas circunstâncias conheceu o seu futuro marido holandês que estudava medicina na Alemanha; foi detida (ou chamada a prestar declarações?) uma primeira vez, após o que ficou em liberdade; e só da segunda vez ficou detida, mas foi rapidamente restituída à liberdade após a «intervenção de Salazar» (há quem refira uma mensagem pessoal a Hitler, mas também há quem diga que foram usados os canais diplomáticos sem mensagem pessoal nenhuma). Assisti a algumas breves declarações recentes de Dona Adelaide a uma cadeia de televisão portuguesa e fiquei surpreendido por nada ouvir sobre a condenação à morte, presumível tortura, etc. da boca da entrevistada. Apenas que os interrogatórios eram difíceis para ela porque, conhecendo elementos opostos ao regime, queria evitar citar os seus nomes, e pouco mais. Isto dito com uma convicção modesta mais própria de quem tivesse receado delatar alguém por distracção do que de uma presumível vítima de interrogatório sob tortura. Habituado como estou à novelização hollywoodesca e quase sem limites de tudo o que diz respeito à Alemanha de Hitler, fico curioso de saber mais sobre o assunto.