31 janeiro 2012

A autoridade que rasga a escuridão


A biografia não é recente, mas ganha plena legibilidade um ano após o início da chamada "primavera árabe", que não deu em liberdade, mas em caos - caos induzido, pois claro - e agora pede reparações e duras sangrias que se farão pela via oposta. Tive o privilégio de estar em Omã em 1983, orgulhoso sultanato que foi império e pertence à Arábia Azul, do mar e do comércio. Participei com o João Portugal, enquanto membros da Nova Monarquia , na delegação da Paneuropa de Otão de Habsburgo, que ali deslocou uma grande delegação por ocasião do 13º aniversário da ascensão do Sultão Qaboos bin Said ao trono. Foram dias intensos dos quais guardo as melhores imagens. Ali, não obstante as guerras entre portugueses e omanitas, o nosso nome é respeitado, como devem ser respeitados os inimigos que se batem olhos-nos-olhos.
Aquela terra árida e inclemente deu passos de gigante ao longo destes quarenta anos de reinado, sem esbanjamento e sem abdicar de um grama da sua identidade. Qaboos será, sem dúvida, um dos mais bem sucedidos grandes estadistas de cepa  reformista, pois produziu obra material e humana sem os efeitos colaterais das ditaduras, demonstrando como só as monarquias podem ser a um tempo agentes de paz e mudança social.

2 comentários:

JP disse...

Falta sempre a "pedra de toque", que é a perenidade do sistema. Lembras-te como trauteávamos o hino? :)
Abr.

PEDRO QUARTIN GRAÇA disse...

Estive no Dubai em 2004, creio, início da grande expansão actual.Omã está ali relativamente ao lado e estive nos seus lindos desertos nos quais existem verdadeiros oásis. É fantástico como naquelas paragens se criou tudo aquilo que existe verdadeiramente do nada.