25 novembro 2011

Um furacão chamado Jacques Pauwels



Jacques Pauwels, um dos mais carismáticos historiadores do nosso tempo, está a criar furor com a abordagem desinibida e herética a temas até hoje considerados intocáveis. Ouçamo-lo, suspendendo reacções epidérmicas. Uma lição magistral.
Ouvindo Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, diria que "uma vez comunista, comunista para toda a vida". Para agradar aos dois profissionais do protesto, o Silva e o Proença - cada vez mais rotundos, cada vez mais patéticos lembrando o imenso vazio dessa coisa em que se transformou o sindicalismo - ali debitou em meia dúzia de minutos os tropos da mais retinta retórica anti-constitucional, não deixando de fazer os rapapés ao PC, deixar os saguates aos "camponeses alentejanos" e até genuflectir perante o mito (anti-democrático) da "indignação" daqueles que se encontram "à margem dos partidos". Terminou com um ataque ao Primeiro-Ministro. Perante coisas destas, só posso dar razão retrospectiva aos Basílios Teles e aos Joões Franco.
Isto não sai, decididamente, do pântano do bota-abaixo, das micro-invejas, das "pequenas vaidades irritadas e irritantes" (Camilo) de uma certa gente formada na escola do agit prop e do descarrilamento de comboios. A geração de Pacheco não presta, comprovadamente.

24 novembro 2011

Um gostinho de PREC

Piquetes dando caça aos "amarelos", cocktails molotov arremessados contra repartições públicas, não acatamento dos serviços mínimos, três práticas associadas aos profissionais do sindicalismo e do protesto, lembrando o mito soreliano da greve geral que fez história no chamado "sindicalismo revolucionário".

Um gostinho de PREC - o poder da rua - que faz tábua-rasa dos resultados eleitorais, demonstrando que para essa gente a legitimidade das urnas não existe e que se mantém intocado o desdém pela democracia. No fundo, esta "greve geral" é a greve dos insustentáveis privilégios de uma certa "consciência europeia" que persiste. Quem faz greve ? Os não-produtivos, o emprego e não o trabalho, o Estado e não as empresas que lhes pagam mordomias incompatíveis com a aldeia global dos direitos de que se dizem defensores.

O primeiro PREC deixou exangue o doente, um doente que crescia 10% ao ano. Um segundo PREC seria a morte certa.

Bilderberg/Goldman Sachs tomoram o poder em Itália

23 novembro 2011

A mãe judia do fascismo



Margherita Sarfatti, uma das mais brilhantes intelectuais do início do século XX italiano. Jurista de formação, literata, salloniere e mecenas de artistas, socialista anti-marxista e moderna, foi amante de Mussolini e coube-lhe formar o jovem político e agitador. Uma biografia proibida, lembrando a origem socialista do fascismo. Uma leitura esclarecedora em tempo de crise moral do liberalismo.


La canzone dell’Africa

22 novembro 2011

O gajame



São umas grandes senhoras. Ocupam lugares que não merecem, fizeram da lei uma anedota, cobriram as mais elementares virtudes de irrisão. De que vale trabalhar, cumprir e esgotar-se em canseiras se tudo está nas mãos "delas", se tudo depende do nihil obstat de gente que nunca teve um assomo de energia mental, que nunca se submeteu à lei, que viciou todas as regras, que escorraçou a concorrência e ainda exige que os dalit (intocáveis, sem casta) se lhes submetam naturalmente ?

O clube delas está cheio. Não entra ninguém. "Queres ser ministra ? Então, escolhe". "Queres ser diplomata ? Olha, abriu um concurso público e entras". "Queres ir para Bruxelas ? Criamos um lugar para ti". Há sempres criados ao dispor. Há sempre um moço de fretes para carregar a mala. Há sempre um mujique de faixa de couro à cintura para arrastar a barca. O gado humano - hominum pecudumque - que se arraste no seu pequeno mundo, se entretenha e viva na escala do micrómegas.

O gajame tem de tudo. Meninas parvas, com nomes de família: que importância se dá em Portugal a uma qualquer menina tonta se for uma Sousa e Melo, uma Godinho da Silveira, uma Pereira de Castro, mesmo que tudo isso não passe de nomes de mercearia ou de tratantes de escravos da costa de África. As meninas estão por todo o lado. Basta que saibam falar na criada, na República Dominicana ou nos negócios do cara-metade (o Diogo, o Martim, o Cristovão) para fazer carreira. Depois, há as Cátias, as Vanessas, as Sónias saídas da obscuridade. Querem fazer dinheiro, querem poder e subiram em anos aquilo que antes exigia umas quatro gerações.

Dizia-me uma amiga que já não tenta. Esgotou-se. Rendeu-se à evidência e submeteu-se à lei de bronze das meninas patetas pintadas de louro e das mulheres-homem de buço e saia-saco e saia-casaco que se entranharam nas instituições como piolhos num sobretudo.

20 novembro 2011

Uma quase libertação


Acabou a desgovernação do PSOE. Pela segunda vez em três décadas, os socialistas abandonam a Moncloa com a Espanha à beira da bancarrota, 23% de desempregados, a maior inflação da zona Euro. Zapatero foi uma praga e conseguiu a proeza de ultrapassar o desastre de Gonzalez. À corrupção do antigo líder somou uma persistente, teimosa e quase suicida tentação de semear o caos e ressuscitar velhos ódios. É evidente que este governo do PSOE tinha por objectivo inconfessável a diminuição da instituição monárquica. A rua - esse grande teatro das multidões - disse-lhe que não. Não querendo assumir as responsabilidades, Zapatero desapareceu.
Ganhou o PP. Sabe-se que o PP é pouco mais que nada: burguesia desmiolada e iletrada com tiques de conservadorismo fanado, a defesa da propriedade, a prioridade para a economia e é tudo. A Espanha invertebrada a que aludia Ortega está lá toda. Contudo, antes um governo de homens de negócios que um grupo de lunáticos; antes o livro da mercearia que a cartilha ideológica. Bárbaros por bárbaros, é preferível o jugo dos señoritos.

O último general aristocrata da Europa partiu há 70 anos


Amedeo Umberto Lorenzo Marco Paolo Isabella Luigi Filippo Maria Giuseppe di Savoia,Duque de Aosta e Vice-Rei da Etiópia, foi capturado há 70 anos num recôndito lugar de Amba Allagi após heróica resistência face aos britânicos. Foi considerado o último de uma linhagem de grandes cabos de guerra e, talvez, o derradeiro militar a submeter-se a códigos de honra que a modernidade selvagem proscreveu. Com ele foi, também, a sepultar a monarquia italiana e uma certa ideia de fraternidade de armas e da guerra sem ódio ao inimigo. Os britânicos renderam ao derrotado as maiores honras militares.Em Itália, as organizações monárquicas dedicam à efeméride colóquios e edições e o seu filho homónimo, agora reconhecido como o chefe da casa real e pretendente ao trono, não deixou de evocar a integridade de carácter e o supremo sacrifício da vida que caracterizaram a trágica vida do grande militar. Um exemplo, num tempo de marçanos e homúnculos.




Silenzio Fuori Ordinanza