15 outubro 2011

Salazar em alta


Era o botinhas, riam-se da parcimónia, da lição da "dona-de-casa", do aforrozinho, das galinhas de S. Bento, da paideia da modéstia e da pobreza dignas, da mantinha sobre os joelhos, do pagar a horas, do não te endivides, vive com aquilo que tens, guarda hoje para teres amanhã. Tudo isso foi motivo para desdém e pilhéria revisteira. Pois, éramos ricos, europeus, o trabalho manual era do tempo da "outra senhora", a agricultura uma indignidade, as duas mudas de roupa um insulto. Fomos europeus por duas décadas. Emigrantes ? Isso é coisa do passado. Portugal era um bom aluno, o melhor, pelo que surgiram em sucessivos ciclos o das croissanterias, o dos papéis na bolsa, o dos jovens empresários, o das universidades privadas, o dos cursos do Fundo Social Europeu (tive alunos, num daqueles cursos destinados a formar "técnicos de panificação" que se chamavam Vasco de Mello e Castro Corte-Real, Sofia Didier da Costa Figueira Brunner), o dos montes alentejanos e o dos programadores de computadores.
Hoje, estamos em apuros. Só ouço falar no "compre produtos portugueses", "tenhamos orgulho em Portugal", "não se endividem" e vivam com o que têm. Portugal redescobriu-se. Salazar está em alta.

A minha indignação

...por ver as falsas elites - aquelas que nunca tiveram um contratempo; que têm sempre um amigo no tal concurso público; que passaram décadas a martirizar o orçamento do Estado com reivindicações, regalias e subsídios; que pediam direitos especais e favores; que enchiam os departamentos do Estado mas não trabalhavam; que achavam natural sair do país duas ou três vezes por ano para ver a tal exposição em Paris ou para se queimarem nas praias dos Brasis e das repúblicas Dominicanas, sempre servidos por criados; que nunca pensaram que o tal "socialismo" iria ser alimentado ad eternum pelos contribuintes europeus; que se mostraram ufanos por serem europeus, conquanto mantivessem os vícios de um regime social fundado na cunha, no absentismo laboral e no emprego sem trabalho; que se diziam das esquerdas e progressistas, mas renderam-se ao mais desbragado consumismo (três carros por família, computador novo cada ano, casa na cidade, casa no campo, casa na praia, cartões de crédito); que tudo fizeram para cortar os laços que nos prendiam ao mundo (o espaço português); que retiraram dos pedestais os homens que fizeram grande Portugal e descerraram estátuas a bandidos, desertores e inimigos do país; que nos idos de 74 e 75 (logo após o tal vinte e tantos da Silva) foram MRPP's ferrenhos e mais tarde tomaram de assalto os capitalistas PPD e PS; que continuam a querer a Constituição da desgraça (...) - tenham o atrevimento de pedir mais.
Esquecem-se que na China, na Índia e na Tailândia, as pessoas trabalham de segunda a sábado, têm 10 dias de férias anuais, desconhecem o 13º e o 14º ordenados e gargalham, como se de uma piada se tratasse, do tal "rendimento mínimo garantido". Esquecem-se que lá um cientista, um médico ou um professor universitário ganham trezentos Euros por mês e não são miseráveis, produzem cinco vezes mais que um "indignado" e a riqueza das sociedades onde vivem cresce 10%, 15% ou 20% por ano.

VÃO-SE DESPIR !

12 outubro 2011

Andam por aí a devastar o que resta das pequenas empresas

As coisas estão pela hora da morte. Começou a ditadura financeira. As ordens de comando: "atirem a matar sobre as pequenas empresas", "esbulhem até à medula", "não discutam, não negoceiem, fechem as portas e lacrem as fechaduras". Estamos assim. Foram 40 anos de corrupção sistémica, despesismo sem freio e engorda irracional do Estado dos partidos e das capelinhas. Agora que o futuro se fechou, o mesmo regime que permitiu a demolição do tecido produtivo, que extinguiu a agricultura, matou as pescas, demoliu as fábricas, vira-se para o que resta: as micro e pequenas empresas, as que dão emprego e quase não geram receitas.
O governo que comece a pensar em políticas económicas e não viva na ilusão de ordenhar as vacas magras que sobreviveram a sucessivos desastres. Portugal já teve um ditador das finanças; agora contenta-se com assaltos com mandato, visitas inopinadas a quem faz malabarismos para manter o mínimo da actividade das suas já vacilantes empresas. Antes, invocava-se o bem-comum; hoje, os actos de pirataria não justificam, não dão satisfações. Eles querem o dinheiro - todo o dinheiro - mas não tocam - não tocaram até ao momento - num cabelo que fosse do aparelho de chupismo que é, ainda, a única obra bem-sucedida do regime.

70 anos



Setenta anos depois da invasão, uma soberba fita russa - não soviética - sobre o início da guerra a Leste. Panorâmico e empolgante, sem cedências à banal gramática do americanismo. A Fortaleza de Brest, de Alexander Kott, talvez o último grande filme de guerra.

11 outubro 2011

Um Protukét nos céus da Tailândia



Já aqui tinha escrito sobre a minha família Protukét favorita. O pai, comandante na Armada Real tailandesa e chefe da comunidade católica luso-descendente, seguiu as pisadas de gerações e atingiu um posto de relevo nas Forças Armadas. O filho Net - que fala um português de meter inveja a um "português de cá" - recebeu as asas de aviador. Num tempo de carrancas e sobrolhos pesarosos, estes outros portugueses do Sião enchem-nos de orgulho.

09 outubro 2011

A CNE não manda calar os ditadores mediáticos ?

Um domingo de escândalo. As estações pública e privadas não pararam, desde as 8 da manhã, a soez campanha contra Jardim. A barragem de artilharia dura há 11 horas e não dá sinais de trégua. De facto, hoje foi o último dia da campanha eleitoral, com as tv's em uníssono a tomar partido contra um dos candidatos. É assim que trabalham as curibecas. Esta democracia precisa de uma grande reforma, do tecto às fundações !