06 outubro 2011

Biblioteca Nacional comemora 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia

A Biblioteca Nacional de Portugal, uma das mais importantes instituições culturais do país, tomou a iniciativa de dedicar às relações entre Portugal e a Tailândia a primeira exposição deste ano. Após prolongado encerramento ao público, motivado por grandes obras de edificação da nova torre destinada ao armazenamento da memória bibliográfica nacional, reabre em pleno no próximo dia 30 de Novembro. Nesse dia, inaugura-se a exposição "Das Partes do Sião", que reúne relevantes documentos impressos, manuscritos, cartográficos e iconográficos alusivos àquelas relações. As peças expostas, existentes em instituições portuguesas e estrangeiras, pela primeira vez reunidas, oferecem panorâmica compreensiva - cronológica e temática - das grandes linhas da presença portuguesa naquele país do Sudeste-Asiático.

05 outubro 2011

Frutos do pomar republicano

Vá, corram para a Praça do Município e celebrem Dias Loureiro, Duarte Lima, Jardim Gonçalves, Oliveira Costa, Miguel Cadilhe, Armando Vara, o sucateiro Manuel Godinho, Valentim Loureiro e a legião infinda de probos cidadãos que servem com abnegação o "ideário republicano".

04 outubro 2011

Paris de olhos em bico e sem péril jaune

Há treze anos residi em Paris. Ali estive o tempo suficiente para preparar a dissertação de mestrado sobre Homem Cristo Filho, que viria a defender em finais do século. Residia num bairro popular lá para os confins da linha da Porte des Lilas, povoada por uma babilónia de trabalhadores vindos de todas as partidas do mundo em busca de uma mirífica riqueza. Cambojanos, laocianos e vietnamitas pobres, magrebinos imobilizados nas suas épiceries de bairro, alguns espanhóis e portugueses, muita classe operária francesa. Os anos passaram, a minha vida seguiu outro rumo e à "cidade luz" - cada vez mais fraldiqueira, numa estafada decadência que já não esconde as vergonhas - voltei de quando em quando sem a paixão de outrora.
Desta vez tinha de lá regressar para ultimar a dissertação de doutoramento sobre as relações entre Portugal e o Sião, que prometi solenemente à família e ao meu orientador terminar antes das primeiras chuvas do Outono. Decidi-me ficar num apartamento noutro bairro exótico, a Cidade Chinesa, nas vizinhanças da Place d'Italie.

Ali moram trezentos mil asiáticos. Dir-se-ia uma cidade do Sudeste-Asiático. Eles, os asiáticos, fizeram progressos que não podem ocultar. De pobres lojistas, vendedores de rua e criados de restaurante saíram engenheiros, médicos, advogados e políticos. Os asiáticos investiram forte nos filhos. Os magrebinos, esses, ficaram onde estavam. Os asiáticos fizeram-se burgueses, os magrebinos transformaram-se em racaille. Escolhi a Place d'Italie porque é segura e porque ali posso tomar um pequeno almoço à cambojana, um almoço à tailandesa, jantar à vietnamita e levar para casa uma ceia cantonesa. Ali há restaurantes, supermercados, cinemas, livrarias e boutiques para asiáticos, com produtos asiáticos. A febre do jogo impera, como por toda a Ásia. Apostas nas corridas de cavalos e de cães, lotarias, jogo movimentam milhões. É a Ásia e a sua quase infantil maneira de fintar a sorte.

Uma sexta-feira em grande. O Louvre no seu esplendor, puxando os galões à fanada grandeza pretérita dos valois e capetos. Kangxi rivalizando com Luís XIV, Qianlong com Luís XV. A França que se enternece com o seu passado de glórias -a velha nostalgia das ex-grandes potências - e sonha alto com o tempo em que havia na Europa um Rei Sol que só encontrava rival no Filho do Céu que se sentava na Cidade Proibida de Pequim.

Tudo tresanda a despedida: a França que se apaga, a China que se expande sobre o planeta e sonha novamente com um mundo globalizado pelas maneiras asiáticas. Há anos, a China era um remoto buraco e o "orientalismo" vivia de clichés pouco menores que caricaturas. Hoje, os franceses, na sua república caduca, prestam-lhe tributo de admiração. Nas paredes da velha muralha do Louvre, uma expressiva transcrição dos escritos de Kangxi: "de música e comida tive bastante; de espírito tive algum".


03 outubro 2011

La révolution qui vient



Uma semana em França. Os jornais, as televisões, conversas várias com pessoas de extracção diversa. O suficiente para perceber que o país está à beira de uma profunda mudança. Sente-se no ar o fim de qualquer coisa. A revolta, o medo que se perdeu à expressão das palavras e ideias proibidas, um cansaço extremo nas fórmulas e rituais, a falência das ideias pronto-a-vestir. Desta vez vai haver luta, luta que pode ultrapassar as regras do jogo. A França, meus caros, está à beira de uma revolução. Só não vê quem não quer. SEGUIR A PARTIR DO MINUTO 15.