06 Setembro 2011

150 anos depois do cárcere


Passam 150 anos sobre a detenção de Camilo na Relação. Aí, escreveu Amor de Perdição, obra de arte escrita em duas semanas, terrível libelo contra os falsos moralistas. Se eu tivesse 5% do seu talento seria o mais feliz dos homens.

05 Setembro 2011

Eles sabem lá...

...o que é a honra nacional. Acabaram com o "estado de graça" caindo sobre o ministro Gaspar - nova cabeça de turco - como se não quisessem ver que o único objectivo que move o governante é o de repor o bom nome de Portugal. Se somos caloteiros, se não pagamos, se vivemos acima dos nossos recursos, se destruímos tudo para cumprir objectivos dos comissários do Reich, se andámos trinta e tal anos a matar as árvores, a desertificar campos, a desmantelar fábricas, a inventar um país de "dótóres", a dar espaço a bandidos e curibecas, se fizemos esquecer ao nosso povo o caminho dos oceanos, a África e a Ásia, se regressámos à visão do mundo de 1400... nada disso interessa. O que interessa é dar ouvidos a ómegas absolutos - os Marques Mendes, as Leites, os Marcelos - que nos puseram neste canto mínimo de mão em concha a implorar esmolas.
O governo que não preste atenção a sondagens e vá em frente, de machete na mão e corte, corte tudo o que não faz falta, sobretudo a casta de gente insignificante que se foi colando ao casco, apodrecendo-o, essa gente que nunca trabalhou e tem o desplante de dar lições do boa governança.

04 Setembro 2011

Mama-san virtuosa

O secretário-geral do PC fez hoje um estridente discurso eriçado de patriotismo, lembrando que a soberania e independência nacionais constituem os valores mais importantes da comunidade feita Estado e Nação. Convém lembrar que um partido que serviu até às fezes a União Soviética, traiu os mais elementares preceitos do patriotismo, desmantelou o Estado, corroeu as forças armadas - quando as havia - lançou a universidade na lama, destruiu o amor-próprio dos portugueses não tem, não pode ter, qualquer palavra a dizer sobre a liberdade, a independência e a soberania. Talvez, como a velha mama-san retirada, lhe tenham subido as virtudes e se transforme agora em santarrona das boas causas. É preciso não ter vergonha ou, por outras palavras, VÁ-SE DESPIR !

03 Setembro 2011

Tempos de luta

Uma foto com muitos anos. Eu - ainda no curso Geral de Milicianos - e o meu irmão Nuno na Galeria Camilo-Eça. Pelas minhas contas, há mais de mil anos. Por essa altura, ainda acreditávamos que valia a pena fazer política limpa, com imenso sacrifício, trabalho e honestidade. Eram os tempos da Nova Monarquia, tão atacada por todos por ser demasiado militante, "excessivamente patriótica" e não vendável aos fulanos que estão em todas à espera de um lugar. Sem um Escudo, reunimos centos de jovens e fizemos mais pelo ideal monárquico que gerações de peralvilhos de salão. Entre 1983 e 1989, as ruas da capital foram nossas. Até o CDS nos veio bater à porta para lhes fazermos uma campanha em grande. Depois, veio o tempo dos "outros", aqueles que nunca fizeram, os sem passado. Dizem que foi a nossa perdição. Em Portugal, não se deve ser dizer o que se pensa. Tudo águas mornas, tudo meios-termos, de preferência tudo o que leve a parte alguma. Triste sina, a nossa.

A morte com um poema nos lábios

Eram na sua grande maioria estudantes de letras. Não podiam servir na indústria, não dominavam as matemáticas nem fazer cálculos de tiro, nada sabiam de Física e Química para fabricar aviões, bombas e artilharia. Ofereceram-se para morrer com a poesia no Mar do Japão. Os últimos heróis do Antigo Japão foram os estudantes de Filosofia, de História e de Literatura. Um belo livro.

Umi Yukaba

If I go away to the sea,
I shall be a corpse washed up.
If I go away to the mountain,
I shall be a corpse in the grass
But if I die for the Emperor,
It will not be a regret.

02 Setembro 2011

Uma espécie de 25 de Abril

Diz Passos Coelho a propósito da invasão da Líbia. Esperemos que não porque, se assim for, daqui a três décadas a Líbia terá 3000 juntas de freguesia, 300 concelhos, 700.000 funcionários públicos, 800 fundações e 50.000 pessoas vivendo exclusivamente da "vida política"; em suma, estará absolutamente endividada e falida. Eles que se acautelem com o "modelo português".