22 julho 2011

São selos, senhores !




Foi anteontem apresentada em simultâneo em Lisboa e Ayutthaya, antiga capital do Sião, a emissão filatélica conjunta luso-tailandesa alusiva aos 500 anos de relações entre os dois países. A convite da administração dos CTT foi-me pedida colaboração na condição de investigador doutorando do Instituto do Oriente /Universidade Técnica de Lisboa. Os trabalhos que serviram para ilustrar os selos agora à venda em todas as estações de correios de Portugal e Tailândia são do pintor português Carlos Barahona Possollo, meu amigo de há muito, bem como da artista plástica tailandesa Mayuree Narknisorn. O texto explicativo, em inglês e português, é de minha autoria.


Por iniciativa de uma das maiores instituições culturais portuguesas, está previsto para o início do Outono em Lisboa a inauguração de importante exposição que pela primeira vez reunirá a mais relevante documentação alusiva à relação entre os dois países. Uma vez mais de parabéns todos quantos se têm dedicado com entusiasmo a estas celebrações. No que nos diz respeito, ainda falta concluir o tal livro de meio milhar de páginas que dedicarei a todos quantos, na Tailândia como em Portugal, exigem passar do registo de divulgação para o conhecimento das fontes sobre aquelas relações existentes na Tailândia, Portugal, França, Macau e Índia.

20 julho 2011

ความสัมพันธ์สยาม-โปรตุเกส 500 ปี




Vá, deixem-se de lamúrias, pois é assim que ainda somos vistos por terras da Ásia. É tempo do Instituto Camões e Necessidades fazerem algo pela preservação e defesa dos interesses permanentes de Portugal. Se algo vale a pena, aqui está uma boa causa.

19 julho 2011

Coprocracia madeirense





Sei que a Madeira, ao contrário dos Açores, nunca produziu vultos políticos dignos de nota. É uma questão mesológica e sobre isso pouco mais há a dizer. Em terra fecunda nascem árvores que tocam o céu; em terra morta nascem liquens. Contudo, alguns desertos de vida produzem liquens tóxicos e até venenosos e a Madeira, que outrora foi terra rica em engenhos de açúcar e escravos (já repararam na flagrante parecença ente Alberto João e Fradique de Menezes ?) produziu ao longo das últimas décadas as mais singulares aberrações teratológicas de que há memória na história do regime. Há quem ache graça a Alberto João, que faz o tipo pândego que suporta o humor português revisteiro, mas naquela pilhéria desbocada há uma academia. Alberto João fez escola, da pior e da mais roncante e agora prepara-se para passar o testemunho a outro Alberto João, mas mais rasca, mais soez, mais brutal nos instintos e inclinações. O tal Caracala de Jardim, o Ramos, ofereceu ontem mais um instantâneo da coprocracia madeirense. É o que dá não haver um Governador-Geral !

18 julho 2011

10 "dótóres"por km2


Disseram-me que uma delegação inglesa que por cá andou recentemente em visita a instituições do Estado ficou impressionada com o excepcional número de doutores que foi encontrando. Um dos membros do grupo chegou mesmo a chamar a atenção dos seus colegas para o exemplo dado pelo Estado português, o qual, ao recrutar a nata e exigir qualificação excepcional para os seus servidores, se coloca em vantagem competitiva. Só ao fim de três dias, espantados com tantas "dótóras" e "dótôres" - sobretudo quando lhes foi apresentado o secretariado de uma biblioteca, onde todos possuíam PhD - se deslindou o segredo; afinal, nenhum era "dótôr", mas todos licenciados, alguns pré-bolonheses, outros pós-bolonheses. Alguém se lembrou maldosamente de coisa terrível que se dizia há anos sobre esta mania dos portugueses se fazerem passar pelo que não são. Contava o tal rifão que "em Portugal quem tem mais de três dentes é doutor".

Contas bem feitas, há cerca de 800.000 dótóres e dótôras no rectângulo; ou seja, 10 por km2. Só uma insegurança psicológica tremenda pode explicar que se tenham armado 800.000 fulanos e fulanas com títulos académicos imerecidos e permitido que as convenções de polimento, deferência e formas de tratamento se transformassem em Portugal em solenes mentiras.

Para quando a proibição por decreto do "sr. dótór" e da "sr.ª dótôra" ?