27 maio 2011

Mais católico não podia ser

Do Boletim Oficial do Governo Geral do Estado da Índia, datado de 1898, na relação dos candidatos a provas de latim, língua francesa e história pátria, o seguinte candidato: Joaquim Lourenço Anunciação António Maria Jesus Piedade Milagres Mascarenhas. O meu pai lembra-se de um tal Joaquim do Sagrado Coração Escórcio de Menino Jesus Fernandes; ou seja, a junção do triunfalismo barroco e do templo hinduísta.

Mistérios políticos portugueses: a mariconera PC



Andam com aquela malinha em baixo do braço, dançam com a malinha, passam-na da axila direita para a esquerda quando cerram o punho e repetem o pê-cê-pê, pê-cê-pê. É a peça mais comum entre os comunistas, pois que as comunistas são adeptas fervorosas do saco plástico. Que eu saiba, para além dos comunistas, só as Testemunhas de Jeová - essas outras criaturas de fé - usam a malinha para carregar a "literatura". Até Cunhal que ao chegar de Moscovo, em 1974, parecia um senhor - daqueles da nomemklatura, que não se misturavam com a canalha - se foi degradando com o passar dos anos e, finalmente, não contente com a placa de plástico da caixa, adoptou a mariconera. É um mistério insondável, de [mau] gosto e de fé.

23 maio 2011

Os grafitti de Pompeia



"Peço seu voto para eleger vereador Caio Júlio Políbio. Ele tem bom pão", "os pequenos ladrões apoiam Vatia para vereador", "Vatia para a vereação. Todos os beberrões noctívagos apoiam-no". Inscrições nas paredes de Pompeia e Herculano.


Passaram dois mil anos. Nada mudou. Os bandidos que façam a política. Aos homens sérios, pedia-se-lhes que fizessem algo de mais útil. O envolvimento na política denuncia o carácter de quem a ela se entrega. Na campanha que hoje se inicia, estão mais em jogo lugares, ordenados e vaidades que a sobrevivência do país. É certo que Portugal não morrerá, mas já não é o mesmo. Ouvia ontem alguém referir-se a Portugal em tom elevado, mas logo atalhar, despenhando-se no charco das banalidades da traição exaltada, que não se tratava de patriotismo. Ora, o que é um país sem patriotismo ? Para que servem a "educação cívica", as instituições que mantêm, sustêm e fortalecem essa diferença que é a pátria ? Pátria quer dizer "Nós", pátria que dizer "somos livres e independentes". Sem patriotismo, nada existe e não há justificação para mais nada. Vendam-se à Espanha, que dá mais dinheiro, é mais rica, arranja melhores empregos. Quando morre o patriotismo, está tudo perdido. Temo que os senhores ministros, deputados, generais e juízes deviam reabrir, por uma meia hora que fosse, esses magníficos inspiradores de patriotismo que são O Oriente, de José Agostinho de Macedo, Marcha Triunfal, de Júlio Dantas e, por que não, as Migalhas da História de Portugal, do sempre jovem Pinheiro Chagas.


O que faz falta à política portuguesa, aos políticos como aos altos quadros dirigentes do Estado é uma exaltante, sofrida, impenitente, teimosa, fanática dedicação a Portugal. Sem ela, estamos como estamos, governados por quem somos governados, condenados a isto.