20 maio 2011

Coprolalia



Um despenteado mental que dá pelo nome de Pita Ameixa dirigiu-se a Passos Coelho como o "africanista de Massamá". Sabemos como as multidões, sobretudo as alimentadas com o trigo dos celeiros do Estado, gostam de circo, são rascas, más e inclinadas às mais desprezíveis inclinações. As democracias latinas dão de si o espectáculo das massas entregues à fúria do instinto, mas parece termos chegado à fase mais degradante. Alguma esquerda portuguesa ainda não compreendeu que Portugal excedeu largamente as fronteiras da Europa, que alguns dos nossos maiores eram mulatos e que só se justifica a ideia da tal universalidade portuguesa olhando o Brasil, a África e a Ásia portugueses. O racismozinho canalha do mandarete Ameixa - a coisa mais ignóbil que pode conspurcar um ser humano - só pode exaltar Passos Coelho. Lembro que, em tempos que já lá vão, uma criatura de maus fígados lá pelas bandas de Aveiro, o funesto e insignificante sr. Candal - que Deus o tenha - deu um pouco da sua falta de escrúpulos, fazendo alusões canalhas e revisteiras a um certo candidato adversário. A coisa é, sem dúvida, importante. Persiste na vida portuguesa o princípio que trata de justificar como legítimo o insulto. Se eu fosse Passos Coelho, levava de imediato a criatura Ameixa à barra dos tribunais e limitava-me a lembrar-lhe uma das primeiras alíneas da Constituição.

Coelho parece ser homem decente, limpo e bem intencionado. Habitualmente, os homens decentes, limpos e bem intencionados não vão a parte alguma. Os Ameixas deste mundo não deixam ! A pornografia política devia ser proibida.

Twilight



Ontem pela madrugada e pela milésima vez, Twilight in the Forbidden City e apêndice, ou seja, o último Imperador. Ali não se trata do poder, mas de uma metáfora à solidão, à imprevisibilidade de tudo, à mudança que não é necessariamente ascensorial. O imperador, homem que nasceu para ordenar, era, afinal, um bom jardineiro. Matéria interessante, sem dúvida, que interpela todos e cada um para aquilo que realmente somos no confronto com os nossos sonhos, lembrando-nos igualmente a fugacidade das honras, das fidelidades e, até, das mais limpas amizades, destinadas à corrupção. O melhor é não fazer, não dizer, não pensar, não sonhar. É o que fazem as osgas. Devem ser as criaturas mais felizes do universo.

19 maio 2011

O que realmente interessa



Não, não são mentiras patrioteiras nem delírios de apagada grandeza; é o peso da História, a tal que tantos apoucam, ridicularizam e querem esquecer na espuma dos negócios e da tonta socialite. Portugal foi e ainda pode ser na Ásia a tal "potência histórica" que outros nunca foram. No passado dia 11, o governo tailandês, na pessoa do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, prestou uma vez mais tributo a essa indesmentível evidência. Tudo aqui e aqui.

São as celebrações de meio milénio e é uma lição de esforço e perseverança de um punhado de portugueses que se entregaram voluntariamente a esta empresa por puro patriotismo ao longo dos últimos quatro ou cinco anos, quase sem orçamento e de coração limpo. O melhor está por vir, mas a lição ficou: tudo exige trabalho, tempo, dedicação e sacrifício.

18 maio 2011

A "ónião sóviética" dos liberais




Bastou fazer um pouco de caricatura sobre os EUA e sobre o "tipo ideal" de americano para que se levantasse um coro de inflamados zelotas, num clamor proporcional à caricatura que intencionalmente pintei. É, para alguns fascinados pelo dinheiro, nos EUA não se toca, mesmo sabendo - e nisso faço vénia à cultura média literária de cada um - que os mais importantes vultos lá nascidos ou crescidos (Mark Twain, Dreiser, Pound, Eliot, Dos Passos, George Santayana) disseram precisamente aquilo que me limitei a repetir. O seguidismo pró-americano, uma infantil mistura de fascínio do candidato a emigrante siciliano, polaco ou açoriano pela "terra das oportunidades", mais o gosto pelos clichés anos 50 e 60 (grandes carros, casas com jardinzinho arrelvado, optimismo, grandes planos), somado ao "espírito guerra fria" deu nisto: uma defesa quase histérica da América. Tudo me faz lembrar os tempos da "Ónião Sóviética" e seus turiferários. A América é assim: não nos dá nada, nunca teve para connosco o mais leve movimento de solidariedade, nada nos compra, limitando-se a lançar umas migalhas em bolsas PhD aos áulicos da religião plutocrática que aqui dá pelo nome de "liberalismo". De resto, invada, polua, não assine convenções e cartas internacionais, bombardeie, mande assassinar, tudo isso é para a defesa do socialismo, dos trabalhadores e da paz e amizade entre os povos...ops, perdão, da democracia, da liberdade e da luta contra o terrorismo.

17 maio 2011

Ó América, és tão feia

Que bonita é Las Vegas. Até lá têm a torre Eiffel !



Pronto, parece que colou a estória do ogre velho, gordo, peludo, rico e impune sevando lubricidade sobre a desprotegida trabalhadora. É o sonho americano, o esquematismo, a ausência de qualquer linha actancial, a suspensão da inteligência. Há fulanos maus, absoluta e irrecuperavelmente maus e há, por necessidade de equilíbrio cósmico, os absolutamente bons. O aggiornamento dos contos para crianças implica fazer correcções em favor das crenças de género, religião, raça e mesmo saúde dos bons e dos maus.



É a América, sem grandeza, sem elaboração, pequena e puritana, pacóvia e excessiva. A América da Lei Seca, claro; do Código Hayes, claro; dos 90.000.000 de processos do FBI sobre meio-país, mas também a América do anti-tabagismo primário - totalitário, roncante, quase idiota - que faz transportar a gente mais gorda e feia do planeta em carros que poluem mais por quilómetro que 10 maços de tabaco; a América que inventou o medo das pedofilias e o espalhou ao ponto de, hoje, um adulto não se atrever afagar a cabeça de uma criança; a América, onde um professor não pode receber estudantes no seu gabinete e fechar a porta; a América obcecada com a saúde, mas que nem gastronomia possui - o mínimo que se pode exigir a uma cultura - para além das pipocas e sandes; a América que odiou as monarquias e só quis Reis da Marmelada, dos imperadores dos tijolos, marqueses dos elevadores e das máquinas de lavar a roupa; a América que converteu a religião no terceiro negócio mais lucrativo do país, imediatamente antes do negócio da coca e das armas. Há quem goste daquilo, habitualmente pessoas muito pouco exigentes e fascinadas pelo grande, pelo rico e pelo "shining". Acho tudo aquilo absolutamente nasty, revolting e disgusting, a começar pela juíza de garrafa de plástico em cima da mesa.



É claro que há gente que não respeita nada nem ninguém, por mais que naquelas línguas saiam torrentes de boas-novas e protestos de amor pelos "valores" e até por "deus". Conheci no Oriente uma dessas criaturas velhas e impenitentes que se atirava com despudor a tudo quanto lhe entrasse porta adentro, uma mistura de direito de pernada neo-colonial e clara percepção de impunidade. Não sei, nem me interessa, se DSK é um predador, mas a América que se eriça de furores para o julgar seria melhor se o não fosse; ou seja, se não fosse América e fosse um pouco mais europeia.

16 maio 2011

Strauss-Kahn



Tem todos os condimentos para ocupar um nicho no templo das venerações contemporâneas: é judeu, filho e neto de líderes do Grande Oriente, foi comunista e fundador da tendência Socialisme et judaïsme do PS. Acresce que é tremendamente rico. Caiu em desgraça por um desses pecadilhos que na Europa seriam motivo para aplauso machista à volta da mesa do café da esplanada ou de furioso virar de costas das exaltadas do "género". Um único senão. Por que raio se iria meter o Presidente do FMI com uma criada de quarto, no seu próprio hotel ? Sem dúvida, coisas da andropausa.

Foi na América, a Meca dos negócios e da religião descartável, de Madoff, Al Capone, Charles Manson e Las Vegas, mas também dos processos de bruxas em Salem e das muitas Great American Inquisitions, de J. Edgar Hoover ao cruzadismo atómico de Truman, do bombardeirismo à Nixon às invasões inopinadas por "razões de sapatos" e armas escondidas que DSK iniciou a via crucis. A América só é séria no acessório e descuida o essencial. O que é importante, não conta. O que não é importante, é matéria de fogos. Um povo sem dúvida inferior, uma cultura que não o é; tudo excessivo, logo, tudo insignificante. Todos os dias se vai aprendendo com essa réplica em cartão dos velhos impérios.

Diz-se que DSK tentou há anos violar uma certa Piroska Nagy ? Mas que homem que se preze tentará assediar uma fulana com tal nome ? O que surge como evidente é que a França está a milímetros de fazer a vénia ao "género" e dar a presidência a Marine Le Pen, que seria o segundo presidente de Extrema-Direita da V República após de Gaulle.