23 abril 2011

Não Compro Disso

Vá lá, salvam-se seis. O resto que não se comprometa com mais nada. Adriano deixou a Formação da Europa, Barreto boas fotos, Lourenço uns nacos de filosofia light, Matoso a Beneditina Lusitana, Eanes o 25 de Novembro (que devia ter sido em 74) e Oliveira o Douro, Faina Fluvial. O resto, não existe. Vou perguntar à Sr.ª D.ª Adosinda se quer substituir algum dos riscados.

21 abril 2011

No tempo em que não havia ICEP's nem Institutos Camões




John White, oficial da marinha dos EUA, visitou a Cochinchina em 1819 em missão que visava a abertura de laços comerciais com o império dos Nguyên. Ao chegar, recebeu a bordo a visita de um mandarim acompanhado por um homem que com eles “falava o dialecto dos portugueses ”. Através do intérprete, funcionário “que era um português de nascimento”, informou o mandarim que queria um piloto que os levasse à cidade de Saigão. O intérprete, mau grado as tentativas, não conseguiu perceber que língua falavam os visitantes, nem de que país eram oriundos. ali só se falava português. Tempos em que os EUA não eram conhecidos! Dias depois, travaram os norte-americanos conhecimento com o comandante de um brigue da marinha do imperador Gialong. O homem estivera em Macau e retinha da língua portuguesa algumas palavras e expressões. Depois, já em terra, repararam que o mandarim de Vung-tau fumava cigarros portugueses.





Façamos contas. Um café custa agora 120$00, um quilo de frango 1000$00, um almoço na cantina do ministério 980$00, uma caixa de pastilhas elásticas 260$00, um livro 4000$00, um bilhete de eléctrico 500$00, uma corrida de táxi do Camões a Belém 1200$00, uma qualquer revistazinha 1600$00. Participamos, alegre e orgulhosamente europeus, na maior burla. Há que pagar para se ser europeu !

18 abril 2011

Pedro Arroja no seu melhor. Notável !

Terrível justiceiro: um dos maiores portugueses vivos falou por nós, os que não têm voz




Tenho dito e repetido a um dos meus maiores amigos: "emigre já, saia, aqui ninguém respeita ninguém, os espíritos superiores estão condenados a morrer emparedados". Sei do que falo. "Não vale ultrapassar", é o lema. Os medíocres, os patetas arrogantes, os despenteados mentais, todos ligados em redes de corrupção, invejosos e impiedosos, não deixam o ar entrar, matam tudo que tenha duas pernas e mais de 50 cm de altura.

Cansado de ler sobre as politéias do Sudeste-Asiático, os Reis-Deuses de Angkor e Ayutthaya, levantei-me da mesa e liguei a televisão. Surgiu-me na pantalha Rentes de Carvalho, talvez um dos maiores portugueses vivos, que trocou a Holanda por Portugal para poder continuar a ser português. O homem falou com a habitual modéstia e simpatia e foi atroador: dissecou o cadáver deste país, afirmou que vivemos do chupismo, que aceitamos que nos cuspam em cima conquanto caiam umas moedas, que Portugal devia reaprender a ser pobre - a boa pobreza, que a há, medieval e espiritualizada, sem jipões e gente semi-analfabeta metida em fatecos - e afirmou que a revolução fora um desastre, o politicamente correcto uma infâmia e as inquisições só mudaram de nome. Em vinte minutos - que não foram censurados, pois não podiam censurar - empurrou-me para a decisão inabalável de, uma vez mais, sair. Vale a pena por cá ficar? Sinceramente, não.

O que nos pode amarrar a uma sociedade onde nem as mais elementares regras da cortesia são respeitadas, onde uma carta oficial não é respondida, um gesto amável interpretado como um incómodo para quem o recebe ?