16 abril 2011

Vão-se despir (III): Passos em terreno desminado



Exultante fiquei quando me disseram que Marcelo, Pacheco, Leite e Ângelo Correia romperam com Passos Coelho. Melhor assim, pois transformaram-se ao longo dos anos em verdadeiros repelentes eleitorais. É coisa de Polichinelo saber quem está por detrás da marosca, a tal figura envolvida até aos gorgomilos nas mais sinistras habilidades do regime, mas que persiste em asfadíssimos jogos de fingida inocência. A indicação de Francisco José Viegas e Fernando Nobre como cabeças de lista por Bragança e Lisboa anda a tirar o sono a muitos medíocres. Enfim, alguma inteligência à solta na salsaparrilha que tem sido o PSD. Compreendo, finalmente, o monarquismo de Passos Coelho. Inteligente, também, teria sido incluir o MPT nas listas.

14 abril 2011

O culto dos bandidos



O homem inaugurou a era das guerras totais. Atravessou o Sul de lés-a-lés, queimando, violando e saqueando por terras inimigas sem qualquer compaixão e respeito pelas mais velhas leis da guerra. Com os seus sessenta mil cúmplices ajaezados de pilhagens, matou uma sociedade, traiu os escravos negros nele confiantes, abandonando-os à sua triste sorte invocando necessidades logísticas, matou prisioneiros de guerra, usou reféns e civis para limparem zonas minadas. Em suma, um monstro que não encontrou qualquer exército adversário pela frente, para além de pobres e esfarrapadas milícias de velhos e crianças que desbaratou. Em tempos do politicamente correcto, o canal História - o tal que está em permanente catequização do comunismo - passou ontem um documentário em duas partes sobre a Marcha de Sherman. Uma vergonha inundada de louvaminhices ao homem que disse, sorrindo perante as labaredas de Atlanta, que "o espéctaculo da cidade destruída o consumira de felicidade" e que, anos depois, já a guerra tinha terminado, foi dos mais ardentes defensores do extermínio dos Sioux. A América no seu melhor, sobretudo o seu mais recente biógrafo, John Marszalek - dos tais com o nome denunciando o dedo da ganância - usando todos os recursos para fazer crer que Sherman atalhou o fim dessa guerra vergonhosa e "impediu mortes inúteis". O mesmo argumento que "eles" aplicaram às bombas atómicas. Que povo de safados !

Passado desfeito



Uma casa gradeada, desfeita, transformada em barraca. Um pouco como o meu Moçambique, que foi libertado para se transformar em terra queimada, minada e vala comum para um milhão - sim, um milhão - de conterrâneos que em nós confiavam e foram, como nós, trespassados na negociata imunda dessa coisa a que se chamou descolonização. Ali nasci, mas já nada me diz. Morreu, está coberta por trinta e muitos anos de medo, subjugada, prostituída. Lá em cima morava o Manuel Luís Pombal. Ao lado, o general Nascimento e Silva. Já morreram, deles ninguém se lembra. Como nós, que fingimos viver emparedados a imaginar um certo Portugal que nada diz à malta das europas, das tecnologias e das "novas ideias". Dizia há tempos um tal Almeida Tantos que só podia dar "força moral". Dispenso-a. Pode limpar as mãos à parede. Manâmbuas-ripa-de-mar-santanhocos, ou, mais prosaicamente, FAMBA TI KUSA !

12 abril 2011

Vão-se despir (II)


Era o candidato estupendo, independente e sério, um homem com carreira fora da política, sempre ao serviço das mais nobres causas. Dele disseram que era necessário para limpar os estábulos de Áugias da partidocracia sem-vergonha. O Dr. Nobre tomou agora a decisão de se apresentar ao eleitorado, crente na remota possibilidade do regime se emendar, mesmo sabendo que esse outro trabalho de Hércules é pouco menor que o impossível. O que foi fazer ! Os mesmos que nele viram um voto contra a candidatura de Cavaco e Alegre, lançam os maiores impropérios. Por outras palavras, se fosse candidato pelo berloque ou se fosse candidato pelo ridículo micro-burguês, reaccionário e inútil do PC, seria um "homem esclarecido", "um cidadão envolvido e preocupado", "um homem civicamente empenhado". Ou preferiam que o lugar do Dr. Nobre fosse cair nas mãos de um beta semi-letrado, desses que infestam a vida pública portuguesa e nem para balconistas serviriam ? As pessoas são, decididamente más, mesquinhas e mal formadas. É um dos grandes problemas que não se resolvem com mais crescimento económico, menos dívida pública e endividamento. É um problema de carácter e nesse particular os portugueses estão cada vez mais doentes: doentes de raiva. Vão-se despir !

10 abril 2011

Os Zuavos



A França anda em infrene correria africana, agora espalhando democracias onde antes implantava a tal Mission Civilisatrice. De Napoleão, o Pequeno, bem como da republicaníssima crença, velha como Condorcet e depois Jules Ferry, que os selvagens não se sabem libertar dos despotismos, ali estão eles, superiormente dirigidos pela nata das novas Luzes em busca da gloire e da panache dos estandartes. Agora, a democracia tudo absolve. É a superstição do número e da maioria, qualquer que seja, não importa, mesmo que 80% queiram exterminar 20% e que os 80% sejam os menos susceptíveis de compreender o que é um Estado, o que é uma Constituição e o que é o parlamentarismo. Escondido atrás de tanta verborreia, o Rei petróleo a dar ao rabo.

Os cálculos estavam, aparentemente, errados. O passeio na Líbia transformou-se numa luta sem fim e Kadhafi vai-se parecendo, cada vez mais, com Benito Juaréz. Na Costa do Marfim, o déspota Gbagbo, ainda há pouco uma coqueluche do "socialismo africano", dá cartas e obriga os amigos do patrão francês a abandonar a capital cuja conquista, ainda ontem se afirmava, era trigo limpo.

Les Africains