29 janeiro 2011

A religião sem arte em frémito de destruição

Hoje, como se previa, o Museu do Cairo, foi assaltado pelas hordas do Corão. É assim mesmo e não tenhamos quaisquer dúvidas a respeito dessa ideologia - dita religião - que nada tolera para além dos desérticos horizontes em que nasceu e que do mundo nada aprendeu. O islamo-nazismo é a última e desesperada tentativa de sobrevivência de uma civilização que repousa inteiramente sobre a única tecnologia que conseguiu produzir, ou seja, a teologia. Não tenham ilusões os bem-aventurados da democracia, dos direitos do homem e da Liberdade, pois o Islão afirma, em absoluta coerência com as suas crenças e pressupostos, que nada disso é matéria sagrada, nada disso foi proclamado pelo profeta; logo, tudo isso é ímpio. Bastou um dia de desordem e caos pelas ruas do Cairo para que essa religião sem arte fizesse das suas, como o fez no Afeganistão há alguns anos. Tomou de assalto o que de mais precioso guarda o Egipto, um dos berços da civilização. Destruiu, calcou, partiu. O ódio contra o espírito, o analfabetismo da sensibilidade e do respeito - outro traço dessa ideologia - é hoje o grande inimigo da cultura. Hoje foi o Museu do Cairo. Amanhã serão as pirâmides, os templos, as bibliotecas, tudo o que lembrar o tempo antigo em que o Egipto era a mãe da literatura e das belas-artes.

Facha, facha, versão sexy


Marujita Diaz, última diva do franquismo. Versão de Soldatito Español de 1976, quando Marujita era "cantante" obrigatória nos comícios de Fuerza Nueva.

28 janeiro 2011

A eterna credulidade ocidental

A Tunísia já caiu. Entrou em fase revolucionária e, como em todas as revoluções, começa pela fase dos moderados. Os moderados vão ser destruídos pela dinâmica. Falam em paz, em liberdade e harmonia, mas quem fez a revolução não foi nem gente pacífica aspirando à liberdade, nem gente que pretende a harmonia. É uma revolução e quem comanda as revoluções são homens violentos, radicais e defensores de soluções extremas. O mesmo no Egipto. Hoje, patética, a Secretária de Estado Clinton, pedindo ao exército que se "domine" e não recorra à violência. É o melhor presente que se pode dar à rua; inibir as forças da ordem de usarem da violência legal e legítima para evitar a instalação do caos. Assim foi no Irão e o resultado é o que sabemos. O Islamo-nazismo parece estar a um passo de tomar o poder no Egipto, o mais importante dos Estados árabes e os ocidentais pedem...moderação.
Esta é a eterna tentação dos ocidentais: assistirem, sem risco de perder cabedais a uma revoluão longe, bem longe das suas casas aclimatizadas. Há um ano assisti em directo, no terreno, a algo muito parecido na Tailândia. As sirenes estridentes da "boa consciência" ocidental, habitualmente montadas sobre ordenadões, dando lições e aconselhando o governo tailandês a negociar com a rua. Felizmente, o governo tailandês negociou com a última ratio dos Estados e ganhou. Só peço que o governo egípcio não tergiverse e mande avançar, tão cedo quanto possível, com os tanques. Se não o fizer, o centro do terrorismo de Estado mundial sairá de Teerão e passará para o Cairo, a menos de dois mil quilómetros da Europa.
Depois, há uma tendência quase infantil entre os ocidentais. Uma, não, duas. A primeira é a de tomar sempre posição por quem protesta. É a cultura do protestarismo, uma antiqualha do Maio de 68. A segunda, igualmente reflexo condicionado, a tendência para simpatizar com qualquer trapo vermelho. Só que no Egipto, o vermelho quer dizer Irmandade Muçulmana.

26 janeiro 2011

The Portuguese-Siamese Treaty of 1820


Chegaram-me ontem às mãos os primeiros exemplares de um pequeno trabalho de minha autoria que se publica por ocasião do início formal das comemorações dos 500 anos de relações entre Portugal e a Tailândia, efeméride que ao longo do ano será lembrada em Lisboa e Banguecoque pelos governos dos dois países. Publicado pelo Instituto do Oriente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, exibindo a chancela do Ministério dos Negócios Estrangeiros/Missão Comemorações Ásia, conta com introdução do Professor António Vasconcelos de Saldanha, o mais respeitado dos académicos portugueses em estudos sobre as relações luso-asiáticas no período contemporâneo.

Não quero fazer de juiz em causa própria. A outros caberá ler e criticar a perspectiva oferecida, mas penso que este livro abre uma frente "revisionista" na abordagem do lugar pioneiro de Portugal na implantação do modelo de negociação e redacção de tratados com potências do Sudeste-Asiático.

Dizia há tempos o Primeiro-Ministro que a cada português cabe, neste momento grave, arregaçar mangas e fazer o que puder pelo país. Ora, como funcionário do Estado, limitei-me a cumprir o meu dever. A este livro, outro - volumoso e exaustivo - se seguirá, talvez ainda no decurso do ano que corre. Tratará das relações luso-tailandesas entre 1782 e 1939 e terá por título The Portuguese-Siamese Relations in Rattanakosin Period, produto da investigação de três anos que realizei em Banguecoque com bolsa em boa hora concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Na capa que ofereço à vossa apreciação, uma bela ilustração miniatural de autoria do meu irmão Nuno. Todo este trabalho correu sem honorários para qualquer dos intervenientes, provando que as pessoas também agem motivadas pelo interesse nacional quando se lhes incute a defesa das nossas coisas, do nosso nome e do nosso orgulho. Publicado em inglês, servirá para esclarecer e revelar aos investigadores e interessados a riqueza do manancial documental português sobre a Ásia, contribuindo para acabar de vez com a invisibilidade de Portugal nesta área de estudos.

23 janeiro 2011

53,38% contra o regime. O resto são chinoiseries !