21 janeiro 2011

O voto monárquico

Nós, monárquicos, só votaremos na terceira volta das eleições; ou seja, naquelas eleições em que livremente pudermos escolher entre a forma republicana e monárquica de regime.

Nós, monárquicos, não fazemos favores nem amparamos ambições usurpadoras de uma chefia de Estado imparcial, independente, acima de partidos e ideologias, longe de clientelas e adversa, por instinto e natureza, às vaidades tolas e aos carreirismos chupistas.

Nós, monárquicos, queremos um Rei que presida às repúblicas que fazem Portugal, que dispense CV e publicidade enganosa.

Nós, monárquicos, somos monárquicos porque não queremos esta república, pelo que votar naqueles que alimentam a ilusão republicana constituiu a mais rematada contradição. Os 700 ou 800 mil monárquicos de verdade [e não só de palavras] às urnas só acudirão empurrados pela falácia do mal menor. O mal menor é sempre mal, pelo que a única maneira de não sujar as mãos e a consciência colaborando algo que nos repugna - que é mau para Portugal - é ficar em casa, não participar na encenação e não falar sobre, não comentar, não exprimir a mais leve e inocente opinião sobre esta "eleições". Domingo, não votar. Segunda-feira, falar sobre o estado do tempo, os saldos ou os planos para o almoço.

19 janeiro 2011

Uma história portuguesa que vale um filme de Preminger


O pequeno mundo da Chicago Chinesa, mostruário feérico do Ocidente, com os seus grandes bancos, agências mercantis, restaurantes luxuosos, clubes nocturnos e hotéis onde se dançava o tango e o foxtrot ao som de grandes orquestras, ruiu subitamente em 1937, quando o Japão desencadeou a segunda fase da conquista da China, preâmbulo da Segunda Guerra Mundial no Extremo-Oriente. A debandada foi geral e os europeus que ali perseveraram inconscientes do perigo pagaram cara a ousadia da inconsciência em Dezembro de 1941, quando o Sol Nascente entrou em guerra com os EUA e o império britânico. A ocupação japonesa de Xangai foi brutal e todos os ocidentais residentes foram confinados em campos de detenção, com excepção dos portugueses, dada a neutralidade de Portugal no conflito.
A Concessão Internacional de Xangai possuía uma International Defense Force de manutenção da ordem dentro do perímetro administrado pelas potências que haviam obtido do governo chinês a cedência do direito de extraterritorialidade. Esta força miliciana integrava uma Companhia integralmente composta por residentes portugueses . Possuíam preparação militar e conheciam bem a cidade, pelo que, ao ser dissolvida a unidade por ordem do comando militar nipónico, muitos dos seus antigos membros integraram a rede de resistência ao ocupante, prestando relevantes serviços à causa Aliada ou ao governo chinês de Chungking. Um dos mais destacados elementos da resistência era o sargento Carlos Borromeu da Silva, antigo polícia portuário britânico mas detentor de passaporte português. Durante quatro anos, entre 1941 e 1945, Carlos Silva forneceu aos Aliados informações vitais sobre o movimento portuário de Shanghai, reparações navais de vasos nipónicos, desembarque de unidades do Exército Imperial destinadas à frente chinesa. Correu enormes riscos e nunca foi recompensado, lembrado ou tão só apoiado quando, em 1949, a China caiu nas mãos de Mao e Carlos teve de abandonar Xangai.


Mister Roberts

18 janeiro 2011

O grupo de homens que se associou para matar um rapaz


Realiza-se no próximo dia 1 de Fevereiro pelas 19 horas na Igreja da Encarnação - por impossibilidade de se poder realizar na Igreja de S. Vicente de Fora, devido a obras - a missa pelas almas de SMF o Rei Dom Carlos e Príncipe Real Dom Luís Filipe. A melhor definição dada a essa trágica jornada de 1 de Fevereiro de 1908 recebeu a assinatura de Ramalho Ortigão e encontra-se nas chamadas Farpas Anti-Republicanas.

Para Ramalho, o regicídio - ou antes, magnicídio, pois pretendia matar por atacado uma família, mais o primeiro-ministro - tratou-se da associação de um punhado de homens (mandantes, pagantes e executantes) que se reuniram com o declarado propósito de matar um rapaz. Foi essa matilha de celerados e criminosos que a república elevou ao panteão dos cidadãos exemplares, manchando-se para todo o sempre.