15 janeiro 2011

Alegres patetices que se ouvem e repetem

Mouzinho da Silveira, o homem que roubou as liberdades das velhas repúblicas que faziam a Monarquia Portuguesa

O candidato Manuel Alegre atirou hoje para a fogueira das frioleiras da campanha a exaltação da "regionalização". Soa bem, dar ao povo o que é do povo, alargar a participação e a democraticidade, dos mais pequenos actos administrativos às mais profundas decisões que quase roçam os sempre eternos e nunca resolvidos problemas da metafísica. É a velha crença do povo-rei, tão velha como o comunismo que já estava - todinho - em Platão. "Regionalizar" seria, pois, devolver ao povo a soberania roubada pelo Estado. No mesmo registo piegas encontramos muitas das manifestações ditas "tradicionalistas" e orgânicas de uma certa direita que pensa realizável uma involução aos caboucos da vida comunitária de casais, concelhos e "homens bons", sem tratar de explicar como é que se reanimam instituições pela mágica de decretos.

Não tenhamos ilusões. Depois de Mouzinho da Silveira - que destruiu o que de mais democrático havia no Portugal Antigo, ou seja, de mais republicano havia na monarquia portuguesa da Constituição Histórica do Reino - é impossível realizar a "concelhização" (regionalização),pois que todas as estruturas sociais, políticas e espirituais que a mantinham foram impiedosamente calcadas pelo Liberalismo. Morreu, acabou, não volta mais.
Estou mesmo a ver a tal regionalização, sem homens bons mas muitos patos-bravos, muitos filhos, filhas, noras e enteados, muita apropriação das receitas fiscais para bandos e clãs, mais os caciques da política aldeã e da freguesia. Não, a governação deve ser a do menor número, pois só assim se podem averiguar actos de natureza criminosa e apurar responsabilidades. Por mim, nem regiões autónomas devia haver, quanto mais regionalizações. As alegres patetices estão por todo o lado e a regionalização é, sem dúvida, das mais tolas e perigosas.

12 janeiro 2011

O que ficou dos Mardjikers e Portugis da Insulíndia


Em finais do século XIX, já os Mardjikers e os Portugis se haviam eclipsado enquanto grupos sociais, surgiu a moda dos “crocodilos”, jovens irreverentes e excêntricos, sedutores e amigos dos excessos que cultivavam um estilo musical inconfundível.
Chamou-se a esse movimento Kroncong e parece, afirmam os musicólogos, ter tido origem na Molucas e reclamar ancestralidade portuguesa . O estilo kroncong era lânguido, de melancolia gentil na melodia e letras . Executado por guitarras portuguesas, gamelãos javaneses e violinos, com efeito muito similar ao fado português, resistiu à passagem do tempo e ganhou novo ímpeto no chamado kroncong pop. Se falarmos a um indonésio de Kartina Dahari, o efeito será muito parecido com a nomeação de Amália. Kartina foi a Amália indonésia. Ouvindo-a bem, ali está, sem tirar, a receita desse prodigioso compositor de "melodias de sempre" que foi o maestro Frederico Valério. O mundo é tão grande e tão pequeno, mas Portugal parece do tamanho do mundo.

11 janeiro 2011

Portugal, Janeiro de 1945...opsss, Janeiro de 2011



As armas secretas estão quase a surgir. Tudo mudará e a nossa estrela de novo brilhará. Os horóscopos não falham, os videntes também não. Amen !

09 janeiro 2011

O passado que regressa



Uma mensagem pelo facebook. Um amigo, vizinho em Lourenço Marques, perguntava-me se dele ainda me lembrava. Claro, foi ontem, há trinta e tal anos. Maravilhas da tecnologia, surpresas da vida. O que ficou da nossa infância - da nossa terra - está nas fotos. O resto, tudo o vento levou.
Horas depois, nova surpresa no reencontro com aquele que já fui. Nas escadas na Igreja da Polana, um friso de miúdos para a primeira comunhão. Eu, na primeira fila, a seguir às meninas olhando para o círio que tenho nas mãos.

Mizé Morgado e a geração da mentira


Há qualquer coisa de lombrosiano naquela geração que fez do Pacatapum uma loja do bom crime, o que compensa, o que permite subir num regime que detestavam, de fazer dinheiro no regime económico capitalista que queriam extirpar com sangue - mares de sangue - e ainda por cima com o topete de querer explicar às pobres almas e aos patetas (que somos todos nós) que se pode lutar pela ditadura do proletariado aos vinte e trinta anos e acabar a vidinha numa poltrona do PSD ou do PS. Ouvi a Mizé Morgado na tv, cada vez mais parecida com a Julieta dos Espíritos, a perorar sobre a África Portuguesa, o colonialismo - mau, segundo ela, porque nem sabia explorar - e mau porque "deixou os países mais pobres de África". Ó Mizé, tenha um pouco de vergonha, vergonha do ridículo, vergonha do que andou a defender. Abra um livro, compare, informe-se, volte aos bancos do liceu e tenha piedade das pessoas que são obrigadas a aturar os tiques de enfants terribles de 60 anos que nos comprometeram irremediavelmente a vida e nos destruíram o futuro. Irra, que nunca mais desandam !