01 dezembro 2011

A república do Prakistamos


Mário Soares disse ontem na TVI que acabámos de viver anos grandiosos de abastança, felicidade, criatividade artística e científica e reconhecimento internacional. Não fosse o trágico da situação em que nos encontramos - nunca tantos portugueses se viram forçados a fugir, literalmente, do país; nunca tantos sofreram processo semelhante de empobrecimento; nunca o nome de Portugal se viu tão diminuído e ridicularizado, chegando a hora de nos colocarmos às mãos de um triunvirato de estrangeiros - e as palavras alucinadas do velho prestidigitador apenas encontrariam desdém, indiferença e pasmo.
A verdade é que, antes, o país tinha passado, presente e futuro. Hoje, o presente é de chumbo, o passado perdeu ponto de aplicação e o futuro está barrado. Honestamente, não creio que Passos Coelho consiga ultrapassar a tormenta. O problema não é tanto de natureza financeira, mas de regime, de elite e atitude. Nunca em momento algum do passado fomos tão mal governados e comandados, nunca como hoje a acção governativa se viu tão reduzida e tão vazios os corações.
No passado, em momentos de depressão, ainda havia um Sá da Bandeira, um Herculano ou um Garrett - todos "homens de esquerda", para acentuar o reservado do diagnóstico - e o país possuía uma reserva de gente disposta a sacrifícios.
Os "anos dourados" a que aludia Soares mataram a elite, encanalharam o povo, mataram o patriotismo sem o qual a existência colectiva perde sentido. Como sempre, os processos longos da história não são apercebidos. Esperámos 100 anos (ou 37, pouco importa) e o veredicto caiu implacável sobre as cabeças de duas ou três gerações que nos torturaram ao limite com mentiras e crenças que, saltava à vista, eram piedosas mentiras ou manifestas provas de ódio a Portugal. Ora, um país não pode ser governando por quem o odeia.
Solução ? Só uma. A monarquia. Só essa ruptura permitiria reencontrar o elo perdido e devolver aos portugueses a honra de o serem. Sem ela, não há futuro. É tempo de lutar pela nossa descolonização.

1 comentário:

Nuno Castelo-Branco disse...

Nada mais há para dizer.