29 dezembro 2011

O meu ano de 2011 terá 18 meses


O ano é uma convenção. Se me perguntassem quando começou 2011, diria que foi em Outubro do V. ano de 2010, quando iniciei a redacção da minha dissertação conducente às provas de doutoramento. 2011 terminará, pois, em Março ou Abril de 2012, quando entregar ao meu orientador o texto final de 500 páginas, 3500 horas de escrita e centenas de noites passadas em branco debruçado sobre papéis. Em Fevereiro de 2011, ou seja, o 4º mês desse ano extenso, apresentei em Bangkok um pequeno livrinho sobre o Tratado Luso-Siamês de 1820, texto que me permitiu afinar o processo de escrita e depuração da talha dourada da literatice vã. Coube ao Professor António Vasconcelos de Saldanha a árdua tarefa de me disciplinar, coisa que o fez com a máxima autoridade. Só não aprende quem não sabe obedecer e o poder esclarecido tem a vantagem de deixar semente e exemplo. No 14º mês de 2011 - que os leitores conhecem por Dezembro de 2011 - inaugurou-se na Biblioteca Nacional a exposição Das Partes do Sião, para a qual trabalhei como Comissário-adjunto do meu orientador Vasconcelos de Saldanha. Sessenta dias (e noites) redigindo o livro, catalogando, anotando, comparando, lendo e relendo aquele que - perdoem-nos a imodéstia - ficará como o melhor breviário - para o público geral, como para os investigadores - sobre as mais antigas relações entre Portugal e um Estado asiático.As pessoas gostam de criticar. Aliás, em Portugal, como um dia disse Adriano Moreira, "há pessoas que trabalham e outras que se limitam a colar rótulos". No fundo, no mundo, desde que o há, os homens dividem-se entre aqueles que acrescentam e aqueles que subtraem. No que às comemorações dos 500 anos respeita, demos o que podíamos e o que não podíamos: militância, paciência, estudo. Palavras, leva-as o vento e neste particular, salvámos a honra do convento.


É assim. Quando a vontade não verga, quando há algo que se deve fazer por honra para não se perder a face, tudo se consegue. 2011 tem sido um ano longo e sofrido, mas valeu as penas e sacrifícios. Gostaria que os meus concidadãos aprendessem a ética do sacrifício, do cumprimento da palavra dada, fossem menos ociosos, menos palavrosos e, sobretudo, mais consequentes.

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