19 dezembro 2011

A religião dos comunistas

4 comentários:

NanBanJin disse...

As lágrimas — na sua larga maioria — dos implacavelmente chantageados, Caro Miguel, essa é que é essa.

Só para vermos bem as coisas, temos aqui no Japão a maior comunidade expatriada de 'zainichi-chosen'jin' — Coreanos que, no pós-45, e residindo no Japão voluntária ou involuntariamente, optaram por ficar, adoptando a nacionalidade coreana afecta ao regime da RPDC — ou seja Norte-Coreanos por escolha.

Ora, esta gente está aqui há quase 8 gerações, agregada na sua generalidade a uma organização cívica chamada 'Chong'Ryong', para todos os efeitos sua representante institucional, e continua, década após década a 'jurar' fidelidade à RPDC, à sua liderança e a jurar a pés juntos que amam a 'Pátria' e seus 'Grande' e 'Querido Líder' na via indivisa do 'Juche' — 'fidelidade' essa transmitida inter-geracionalmente, sem que hajam sinais maiores de dissensão entre as gerações mais novas, que frequentam escolas próprias no Japão! note-se bem isto, onde os retratos de Kim pai e Kim filho estão dependurados em cada sala de aula, em cada corredor, em cada ginásio! Onde as aulas são leccionadas em coreano, onde se canta diariamente o hino nacional norte-coreano e outras tantas ladainhas de apaixonado louvor aos eternos líderes do 'Povo Trabalhador', e onde o traje tradicional é de uso obrigatório... Isto no Japão...
Como é tal coisa possível, quando este país é regularmente informado do estado de absoluta miséria sub-humana a que o que o regime de Pyongyang conseguiu condenar a sua própria gente? Estas pessoas não vêm televisão? Não lêem jornais japoneses? Não têm vizinhos Japoneses ou Sul-Coreanos com quem conversarem? Estas pessoas porventura são excluídas da prosperidade nipónica? Passam elas humilhantes necessidades aqui? Têm porventura imensa razão de queixa do país que as acolhe?...

(CONT.)

NanBanJin disse...

É evidente que, para todas estas perguntas, a resposta não pode ser outra senão um redondo NÃO...

Todos falam, lêem e escrevem em Japonês, todos vivem em habitações condignas com vizinhos japoneses e até sul-coreanos ou de outras nacionalidades, todos têm acesso ao irrepreensível sistema nacional de saúde japonês, todos têm bons televisores japoneses ou sul-coreanos em casa, todos têm acesso a bens e serviços de qualidade e mesmo a bens de marca típicos do consumismo dominante no Japão, todos se passeiam em Toyota, Nissan, Honda, Mazda, Subaru, Suzuki ou mesmo Hyundai, todos têm direito a quatro refeições quentinhas no bucho por dia — ao contrário dos seus familiares na 'Pátria', reduzidos hoje a menos de 375 cal. por pessoa/dia...

Porquê então, tamanho finca-pé na demonstração de lealdade à 'mais feliz e próspera de todas as Pátrias' ?

É evidente que esta gente está transversalmente forçada a prestar 'kow-tow' ao opressor mediante submissão a um dos mais abomináveis sistemas de vigilância e chantagem colectiva de que a memória na História: a larguíssima maioria tem ainda a seu cargo — a quem confia preciosíssimas remessas de bens vários e até moeda estrangeira — largas famílias em solo norte-coreano. É evidente que ao menor sinal de dissidência, quem sofre na pele não é o transgressor, mas sim quem está ao imediato alcance do algoz...

Se é assim para os que aqui estão, agora pensemos no que será para os que nem a um contacto mínimo com exterior direito têm...

A imaginação comum não consegue concebê-lo.
Nem mesmo a de quem aqui como nós, acompanha com especial regularidade o evoluir da situação.

É esta a última herança do Estalinismo puro e duro.
Nem Orwell lá chegava.

Abraço de cá,

Luís F. Afonso, Fukuoka, Japão

NanBanJin disse...

E para uma melhor compreensão do supra exposto, aqui deixo, com o sêlo BBC:

http://www.bbc.co.uk/news/world-11534233

Pedro Leite Ribeiro disse...

http://darussia.blogspot.com/2011/12/kim-deixou-de-ser-camarada.html
Risos, para variar das lágrimas!
Uma coisa considero certa: se tivéssemos o azar de ter nascido na RDPC, também seríamos obrigados a verter umas lágrimas. Nem que fossem de crocodilo.